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quinta-feira, 19 de dezembro de 2002

Desconfio que, se a maioria dos instrumentistas do rock estudasse música, ele teria mais surpresas boas. (Este deve ser um problema do rock alternativo brasileiro.) Porque a troca de idéias seria possibilitada: você pode dizer exatamente o que você está imaginando para o seu parceiro de banda, ou então pode compor à distância com pessoas de outras bandas. Porque a criação seria facilitada: se vem uma melodia na cabeça, você pode pegar um papel e um lápis e escrevê-la. Quantas melodias os compositores que não escrevem já perderam? Além disso, a visualização da melodia na pauta e a consciência harmônica mudam a forma do ato de compor, inclusive empolgam mais: você sabe quais são as suas armas e como usá-las.

Mas é natural haver uma resistência à técnica, eu tinha, porque música é sentimento e parece que somente a intuição, e não a razão, deveria entrar em ação (também porque se pensa em virtuosismo, que é bem outra coisa). Eu pensava assim, mas resolvi ter coragem e arriscar: entrei num negócio que poderia me estragar, mas está valendo a pena. A técnica e a escrita facilitam as coisas, são o instrumento para transformar a inspiração em música inspirada. É a velha história de dominar a técnica para criar uma nova estética depois: veja o Sonic Youth. (E tem gente que pensa que é só sair tocando a mão em qualquer casa e em qualquer corda.)

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