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terça-feira, 27 de maio de 2014

Ouvindo as ondas 
(Dang Nghien)

Nossas percepções sensoriais são como um trilho. Quando passamos uma vez, uma suave linha é marcada. Ela pode desaparecer se não a usarmos novamente. Contudo, se viajarmos por ela frequentemente, se tornará uma trilha, uma rua e então uma estrada. Quando experimentamos uma emoção repetidas vezes, ela se torna um hábito. Quando o caminho neural fica bem estabelecido, apenas um simples olhar ou som são necessários para nós imediatamente termos a percepção de perigo, ódio ou irritação. Imediatamente temos uma resposta fisiológica.

Muitos de nós pensamos que florescemos nas ondas da paixão e da excitação. Quando a onda vem, ela quebra e quebramos com ela. Nós nos tornamos a onda. Nós somos a onda. Pensamos que sem estas ondas despontando e quebrando estaremos entediados! Defendemos a raiva e dizemos que ela nos dá energia. Eu costumava acreditar que a depressão era necessária para escrever grandes poesias! Defendemos esta ideia porque não conhecemos nada melhor que as ondas. Por toda nossa vida atravessamos de uma onda para a outra, e acreditamos que apenas as ondas existem.

Mas abaixo das ondas há um imenso oceano que podemos nunca ter explorado. Acima das ondas há o espaço infinito. Em alguns momentos, enquanto sentamos quietamente, ouvindo nossa respiração ou sorrindo para uma flor, podemos tocar a imensidão do espaço – que significa não subir e descer, não investir e quebrar repetidas vezes, e significa ser estável e parado. É claro que não cessamos de ter percepções e sentimentos. Eles podem estar presentes, mas não nos tornamos eles. Nós podemos reconhecê-los enquanto estivermos no chão e não na onda.

O sofrimento não tem começo nem fim. Não tem uma causa única. Foi transmitido para nós pelos nossos ancestrais, pelos nossos pais, pelo nosso ambiente e pelo modo como vivemos os últimos anos. Paz, estabilidade e liberdade também funcionam da mesma maneira. Não tem começo nem fim e não tem uma causa única. Podemos escolher o caminho do sofrimento, sendo jogados de onda a onda, ou podemos pegar o caminho da liberdade nos treinando a cada momento, dia a dia. Literalmente passo a passo, respiração a respiração.

"Atravessamos a vida sendo dominados por nossas emoções, principalmente as mais intensas como a raiva, o medo, a ansiedade e até a paixão. Normalmente nos damos conta disso depois quando a onda da emoção forte já quebrou. Às vezes é tarde demais, porque sob domínio de emoções fortes pensamos, falamos e agimos de maneira que eventualmente nos arrependemos." (Tâm An Dao)

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