NÃO SE PODE SUBESTIMAR o alcance e a dimensão do fracasso do PSOL neste caso. Todos os dados disponíveis mostram a mesma história. Aqueles com os menores níveis de renda e de escolaridade rejeitaram fortemente o PSOL – um partido formado para combater as desigualdades sociais – em prol do conservador evangélico e pró-empresários. Freixo perdeu esmagadoramente na Zona Oeste. Eleitores da classe trabalhadora e residentes de favelas fora da Zona Sul simplesmente deram as costas para a esquerda. Em outras palavras, os próprios eleitores a quem o programa político do PSOL tenta atender são aqueles que se sentem mais distantes do partido – e são muitas vezes hostis a ele. (...)
Há muitas razões pelas quais os apoiadores do PSOL deveriam estar otimistas em relação ao futuro de seu movimento. O partido evitou os escândalos de corrupção que engoliram quase todos os outros partidos. Tem liderado a luta por ética no governo: junto com a Rede, iniciou e dirigiu o processo para remover Eduardo Cunha da Câmara, além de liderar a luta para bloquear a anistia ao Caixa Dois que Michel Temer e Rodrigo Maia tentaram inserir na lei. A paixão de seus jovens apoiadores, e a maneira com que recebem e empoderam a diversidade na população brasileira, são inspiradoras. A postura intransigente e de princípios de seus candidatos, embora muitas vezes dificulte o sucesso eleitoral, é um oásis raro e importante num cenário sujo de cinismo e oportunismo político.

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