Cunha dando a letra:
'ARMADILHA TEMER'
Ele está vivendo uma situação difícil, inclusive com erro de agenda. As manifestações de 2013 nunca foram sepultadas. Essa crise foi o propulsor do impeachment. Agora, Michel assumiu e, de certa forma, ele herda a crise de representatividade. Aqueles que votaram na Dilma e também no Michel — ele foi votado pelos mesmos 54 milhões — votaram num programa de governo apresentado pela Dilma que não foi cumprido. Ele precisaria compreender que ele foi votado por esses 54 milhões, que votaram em um programa de governo que a Dilma não cumpriu.
REFÉM
Há a sensação de que ele fica refém, porque ele entrega a política e o governo para aqueles que foram a oposição, que perderam a eleição para ele. É importante dizer isso: o PSDB e o DEM perderam a eleição para a Dilma e para o Michel. Se você quer legitimar o poder, tem que legitimar o poder eleito pelos 54 milhões. Quando você quer fazer o programa do PSDB e do DEM, passa a impressão de que quem está governando é o PSDB e o DEM. De uma certa forma, está trazendo para si a falta de representatividade. Os que votaram em você não reconhecem isso e aqueles que votaram no programa PSDB/DEM não entendem que o Michel é o representante legítimo para exercer isso. Nessas circunstâncias, ele está numa armadilha.
Há a sensação de que ele fica refém, porque ele entrega a política e o governo para aqueles que foram a oposição, que perderam a eleição para ele. É importante dizer isso: o PSDB e o DEM perderam a eleição para a Dilma e para o Michel. Se você quer legitimar o poder, tem que legitimar o poder eleito pelos 54 milhões. Quando você quer fazer o programa do PSDB e do DEM, passa a impressão de que quem está governando é o PSDB e o DEM. De uma certa forma, está trazendo para si a falta de representatividade. Os que votaram em você não reconhecem isso e aqueles que votaram no programa PSDB/DEM não entendem que o Michel é o representante legítimo para exercer isso. Nessas circunstâncias, ele está numa armadilha.
COMPORTAMENTO
Tem que ter um pacto mínimo, mas não temos mandato reformador. Temos um mandato resultante de uma crise. Não dá para se comportar como se tivesse se ganho uma eleição, com um programa que não foi discutido e apresentado à sociedade.
Tem que ter um pacto mínimo, mas não temos mandato reformador. Temos um mandato resultante de uma crise. Não dá para se comportar como se tivesse se ganho uma eleição, com um programa que não foi discutido e apresentado à sociedade.
OS INSATISFEITOS
Vai acontecer o seguinte: nesse primeiro momento, há [nas ruas] os movimentos orquestrados pelo PT, mas daqui a pouco vão se agregar os outros, os insatisfeitos com o programa não cumprido da Dilma, os que votaram no Aécio... Isso é uma situação muito perigosa.
Vai acontecer o seguinte: nesse primeiro momento, há [nas ruas] os movimentos orquestrados pelo PT, mas daqui a pouco vão se agregar os outros, os insatisfeitos com o programa não cumprido da Dilma, os que votaram no Aécio... Isso é uma situação muito perigosa.
REELEIÇÃO
O PSDB adotou essa posição de censor depois que se divulgou a ideia de que o Michel poderia ser candidato à reeleição. Eles ficaram com a desconfiança. Não vão ser sócios de um governo que dê certo, porque se der certo o candidato é o Michel. Se der errado, serão partícipes do fracasso. Então eles vão ficar nessa posição. Votam o que for de interesse deles e criticam o que não for. Demarcaram uma diferença.
O PSDB adotou essa posição de censor depois que se divulgou a ideia de que o Michel poderia ser candidato à reeleição. Eles ficaram com a desconfiança. Não vão ser sócios de um governo que dê certo, porque se der certo o candidato é o Michel. Se der errado, serão partícipes do fracasso. Então eles vão ficar nessa posição. Votam o que for de interesse deles e criticam o que não for. Demarcaram uma diferença.
LIVRO
Vou escrever um livro sobre o impeachment. Ainda não pensei no título. Vou escrever com todos os detalhes tudo o que aconteceu dentro desse processo do qual participei. Tenho uma boa memória, né? Tenho ele rascunhado dentro da minha cabeça. Pretendo ter ele pronto até o fim desse ano. Acho que, talvez, o ponto de partida seja as manifestações de 2013. Tudo começa ali. Não espero perder o mandato mas, se acontecer, o livro vai sair mas rápido. Vou ter mais tempo.

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