(Bianca Izoton Coelho*; Daniela Moraes de Oliveira; Edinete Maria Rosa; Lídio de Souza / Universidade Federal do Espírito Santo)
A pesquisa objetivou conhecer as experiências com a violência urbana através de entrevistas realizadas com 17 pessoas &– vítimas e pessoas que com elas mantinham diferentes graus de proximidade &– por meio da metodologia de investigação em rede, em que os entrevistados indicavam outros que souberam da ocorrência.
Resultados
Consequências da violência
No que concerne às experiências vividas pelas vítimas dos casos de violência estudados, observou-se a emergência de uma visão diferente daquela que considera que as vítimas sofrem maiores agravos. Nos casos estudados, verificou-se que todas as pessoas que souberam do ocorrido pela própria vítima (P1a, P1b, P1c, P1d e P1e) demonstraram uma sensibilidade maior à situação, sensibilidade que pode ser decorrente das ligações afetivas com as vítimas, bem como de um imaginário social que difunde insegurança.
Eu senti isso, eu senti muita insegurança, não dormi direito, fiquei impressionada. Toda hora eu ficava tentando imaginar a cena do que ela passou. 'Como que será que foi?' (P1a)
... eu fiquei abaladíssima com esse negócio que aconteceu com a L. (P1b)
Discussão e Conclusão
Em suma, Costa (1993) procura esclarecer:
É daí que nasce o medo social, o pânico com características fóbicas. Posto que o inimigo está em todo lugar e pode apresentar-se nas situações mais imprevistas, sob qualquer aparência, tem-se que nomeá-lo e dar-lhe uma visibilidade imaginária qualquer. A palavra violência vira uma entidade. O invisível e imprevisível parecem dessa maneira corporificar-se. (p.86)
Por outro lado, para as vítimas que vivenciaram de forma direta a violência, a intermediação do imaginário parece ser desnecessária. O caso de violência não é vivido apenas como uma ilusão ou hipótese, mas sim concretamente, de forma mais conectada à realidade, o que não significa que seja vivenciado de modo menos impactante. Constata-se apenas que fantasiam menos e dramatizam menos o ocorrido.

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