Golpe
(Alexandre Haubrich)
Os governos do PT não democratizaram a mídia. Verdade. E ainda assim é golpe.
Os governos do PT enriqueceram os banqueiros. Verdade. E ainda assim é golpe.
Os governos do PT favoreceram o latifúndio. Verdade. E ainda assim é golpe.
O governo Dilma não respeitou as mobilizações populares das chamadas "Jornadas de Junho" e parte do PT até hoje considera ilegítimo aquele processo. Verdade. E ainda assim é golpe.
O governo Dilma não respeitou os movimentos que questionaram e lutar contra a realização da Copa do Mundo e contra os muitos males dos megaeventos. Verdade. E ainda assim é golpe.
Dilma não conseguiu manter sua base parlamentar. Verdade. E ainda assim é golpe.
Desde o primeiro governo de Lula, o PT aliou-se com setores do que há de pior na política brasileira, com as elites políticas e econômicas e com figuras como Sarney e Renan. Verdade. E ainda assim é golpe.
Parte dos projetos que Temer vem tentando implementar já eram defendidos e propostos por Dilma, atacando direitos dos trabalhadores e privatizando o Estado brasileiro. Verdade. E ainda assim é golpe.
Muitos movimentos ligados ao PT abriram mão de construir lutas ao longo dos últimos 13 anos para ajudar na garantia da "governabilidade". Verdade. E ainda assim é golpe.
Setores do próprio PT abandonaram Dilma. Verdade. E ainda assim é golpe.
Setores do próprio PT (inclusive o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad) tergiversam para falar em "golpe" por puro interesse eleitoral. Verdade. E ainda assim é golpe.
Há corrupção no governo. Verdade. E ainda assim é golpe.
Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe. A grande conspiração liderada por Cunha e Temer, com forte apoio midiático e judiciário, com respaldo de setores da classe média que são contra os direitos dos mais pobres porque não querem ver seus privilégios transformados em direitos dos outros, com suporte de muita gente que foi às ruas de verde e amarelo sem compreender para onde estava apontando sua indignação e para onde estava apontando o futuro do país...essa grande conspiração trata-se de um golpe parlamentar, e, mesmo que se confirme com a votação no Senado, ficará assim marcada para a História e manterá sem qualquer legitimidade o possível governo de Michel Temer.
E pior: não é um golpe apenas contra Dilma ou contra o PT. Porque não tiram Dilma pelos problemas de seu governo, mas por seus poucos méritos. Porque os de cima tiram Dilma para empurrar os de baixo mais para baixo. Porque a velha direita tira Dilma para empurrar a esquerda ainda mais para a marginalidade política, e abre um precedente que poderá derrubar a qualquer momento qualquer governo com caráter popular. Porque o grande empresariado tira Dilma para acelerar os ataques contra os trabalhadores.
É assim, de cima x de baixo, direita x esquerda, capital x trabalho, que se configura a disputa em torno do golpe. Dilma é apenas uma peça desse tabuleiro. Embora ela também jogue seu jogo, o que nos toca é um jogo muito maior, chamado luta de classes. E, mesmo que não queiramos jogar o jogo do poder e da governabilidade ao lado de Dilma (e eu, por exemplo, não quero), devemos ter a responsabilidade de nos posicionarmos nesse jogo maior. Parte desse posicionamento é reconhecer a existência desse jogo, entender suas dinâmicas, perceber a jogada dos que estão do lado de lá e chamá-la pelo nome, para podermos analisar qual deve ser nosso movimento seguinte. E a jogada deles contra todos nós está clara: É GOLPE.
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domingo, 4 de setembro de 2016
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