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domingo, 4 de setembro de 2016

Sobre a raiva 
(Sarah Doering)


O ódio, deveras, nunca, até agora, dissipou o ódio. Só o amor dissipa o ódio. O ódio só leva à vingança e a vingança leva a mais ódio. Um ciclo de sofrimento é colocado em movimento e pode continuar indefinidamente. Muitos lugares no mundo hoje são uma triste evidência dessa verdade. Os ensinamentos do Buda levam a raiva muito a sério, porque a raiva causa muito sofrimento. Mesmo quando, por conta da raiva, nenhuma ação é executada e aparentemente ela é controlada, uma pessoa que esteja enraivecida pode num instante mudar o ambiente ao entrar num cômodo. Ela traz consigo um calafrio invisível. Quem quer que esteja por perto se contrai e se retrai tornando-se menos espontâneo e mais defensivo. Isso ocorre inconscientemente. Parece claramente uma resposta no nível celular à qualidade de energia que a raiva emite.

O que é ignorado, com frequência, sobre os efeitos desastrosos da raiva no entanto, é o dano que ela causa à própria pessoa. A primeira pessoa ferida é sempre aquela que está com raiva. Uma mente com raiva é uma mente com sofrimento. Uma mente enraivecida fica agitada e tensa. Ela fica contraída e estreita. A qualidade da consciência muda. O julgamento e a perspectiva deixam de existir. Todo o bom senso desaparece. A pessoa se sente inquieta e compelida. Nada é satisfatório. O sono é difícil. O corpo fica tenso. A noção do eu é engrandecida e da mesma forma a noção do outro. Uma das razões porque a raiva é tão dolorosa é porque instantaneamente cria uma tamanha separação entre o eu e os outros. Uma barreira é estabelecida entre os dois, incapaz de ser superada.

A raiva pode ser prazerosa. Há um forte sentimento de justiçamento. Pensamentos de auto-justificação assumem o comando. Mas, subjacente ao prazer gerado por esses pensamentos auto-justificativos encontra-se a dor de uma mente tão rigorosamente constrita que está fechada a qualquer enlace humano.

As consequências da raiva são sérias. A raiva age como um veneno na mente. Ela gera karma ruim e prejudicial. Cada pensamento ou palavra, ou ação enraivecida tem o seu efeito correspondente. Algumas vezes pensamos que ao fazer algo, especialmente se ninguém mais toma conhecimento, aquela ação simplesmente desaparece. Essa noção pode ser um tanto reconfortante se estivermos incertos quanto à bondade daquilo que foi feito.

A ação aparentemente desaparece. O pensamento foi pensado. A palavra foi dita. A ação ocorreu e se foi. Mas aquela ação coloca em movimento uma cadeia de efeitos subsequentes que persistem. Tal qual as ondas que correm em todas as direções quando uma pedra é arremessada num lago, da mesma maneira, cada ação intencional tem resultantes que se movem através do espaço e tempo e afetam tudo aquilo que tocarem. Estamos atados àquilo que fizemos e aos efeitos do que causamos. Em outras palavras, somos os herdeiros do nosso karma.

Os resultados de uma ação são sempre da mesma natureza que a intenção que a realizou. Como quando plantamos uma semente de maçã, o único tipo de árvore que irá crescer é uma macieira. E aquela árvore irá gerar apenas um tipo de fruto – maçãs. Uma semente de maçã não produz uma laranja ou um pêssego. Assim, do mesmo modo, se uma semente de raiva tiver sido plantada na mente, o sofrimento certamente virá depois. Pois, um dia quando as condições forem apropriadas, aquela semente de raiva irá amadurecer e gerar os frutos enraivecidos. E quando chegar o momento apropriado, os efeitos da raiva irão regressar como um bumerangue e golpear-nos uma vez mais.
A raiva, com frequência, é comparada ao fogo. Este queima tudo aquilo que lhe dá suporte e depois aparentemente se extingue. Mas o fogo algumas vezes pode ficar latente, escondido, até que as circunstâncias se juntem e façam com que o fogo irrompa novamente.

A lei de karma também diz algo mais que é grave. Diz que ao longo do tempo a nossa personalidade e caráter são moldados por aquilo que pensamos e dizemos e fazemos. Cada momento de raiva aprofunda a marca da raiva no contínuo mental. Isso significa que cada vez que sentirmos raiva, será mais fácil sentir raiva outra vez. Uma reação enraivecida, repetida com frequência, pouco a pouco se torna um hábito. Começamos a perceber cada vez menos coisas que nos dão prazer, tanto na nossa vida como nos outros, e nos tornamos cada vez mais irritadiços e negativos. E não é de se estranhar que as pessoas comecem a nos evitar e que nos sintamos isolados e solitários. Enquanto isso, as coisas desagradáveis continuam acontecendo e somos incapazes de compreender que elas são o resultado das nossas próprias ações.

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