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terça-feira, 6 de setembro de 2016
"A crise se tornou um modo de existência. Dentro desse modelo, que só se intensificou para uma situação na qual viveremos em crise contínua, o discurso da crise terá duas funções: a primeira é uma função econômica, a segunda é uma função moral, que é a pior de todas. Tem uma função econômica porque dirá que a crise não passa e, por conta disso, faz-se uma espécie de flexibilização contínua de todas as regras e direitos trabalhistas. Aí se faz uma Reforma da Previdência hoje e daqui a cinco anos outra, daqui a dez anos mais uma e para sempre até não ter mais o sistema de previdência, e isso também com os direitos trabalhistas, até não haver mais direito trabalhista algum. Esse é o horizonte. Agora, tem uma questão que é interessante: por que se tem uma passividade da população em relação a isso? Porque a crise é um discurso moral. Um discurso moral é mais ou menos um jogo de virtudes: só aquele que tem a virtude da coragem sobreviverá, ou seja, se tem coragem de assumir riscos, de ter sua força empreendedora de operar inovações, então a crise não o afetará; a crise afeta aqueles que são paralisados – os covardes – ou aqueles que agem como crianças mimadas e que esperam o amparo de algum tipo de Estado protetor ou Estado-providência. O sujeito que se vê fracassado economicamente se vê fracassado moralmente. Assim vai se criando uma situação na qual a responsabilidade da impossibilidade de inserção econômica é colocada nas costas, única e exclusivamente, dos indivíduos. Não é por outra razão que temos patologias da ação da disfunção dos indivíduos, como a depressão. O que é interessante é a incapacidade de desenvolver um trabalho sistemático para quebrar esse tipo de argumento." (Vladimir Safatle)
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