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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

"Em época de eleições, talvez eu devesse me dedicar à literatura e ao cinema. Mas não tem jeito: as eleições são um tema fascinante. Nesta eleição, contrariamente ao que todos parecem gritar, não se enfrentam visões realmente antagonistas. Paradoxalmente, o fato de que os candidatos têm visões de futuro compatíveis produz e explica o caráter raivoso da campanha. Sabemos (desde Freud) que as pequenas diferenças são as que inspiram as reações mais violentas. É o próximo mais parecido conosco que odiamos com facilidade: ninguém quer exterminar as girafas, mas podemos querer exterminar o vizinho um pouco mais escuro ou mais claro que a gente. Ou seja, os concorrentes seriam menos adversos se não compartilhassem uma mesma visão de futuro. A existência (suposta) de campos 'opostos' permite 'aderir' plenamente a um deles, e aderir – ser e sentir-se parte integrante de um grupo – é uma paixão humana quase universal, embora um tanto sinistra. A vontade de aderir a qualquer partido, igreja, torcida ou tribo é quase uma falha moral, que corresponde ao anseio de se perder numa coletividade para poder descansar da tarefa (mais árdua) de inventar pensamentos e critérios próprios. Resumindo: o próprio fato de que os dois blocos políticos não tenham alvos radicalmente diferentes alimenta uma oposição surda aos argumentos do outro, na qual a adesão encoraja cada um a renunciar à sua capacidade de pensar por conta própria." (Contardo Calligaris)

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