Sua concepção deu-se por ocasião de quatro fatalidades. Duas gestações abortadas de sua mãe. Uma irmãzinha que morreu antes mesmo de começar a andar ? se sobrevivesse, seria cega, surda e muda. E um corte no pé do pai, num acampamento no Espírito Santo, enquanto ele pescava. O pai e a mãe tiveram que ficar em repouso, dentro da barraca, e lá foi mais um espermatozóide dele fecundar o óvulo dela, formando o zigoto que deu origem ao menino sete meses depois.
Outras concepções deram-se durante os 26 anos seguintes dele, Neny Becker, por ocasião de outras fatalidades. Lembrou-se da carta Morte, do tarô. Pensou no limite entre o desespero e a esperança, e uma imagem transparente formou-se em sua alma. Pensou no caos, princípio que rege o universo. E no desconhecido, princípio que rege a transcendência, como a da arte.
Nasceu de sete meses, e a mãe dele teve complicações no parto da sua quarta gestação. Por isto, o bebê ficou cinco dias longe dela e mais vinte e cinco sem o seu colo, sem o seu calor. Uma interrupção na continuidade da vida.
? A maternidade está infectada com um vírus.
? Ele é prematuro, o dr. não pode tirá-lo da encubadora. São as ordens.
O médico resolveu assumir o risco, mesmo contra a direção do hospital de Juiz de Fora. A avó de Neny, a jovem Vina, embrulhou o neto em panos, como se fosse uma mercadoria clandestina que devesse permanecer em segredo, no seu transporte, e desceu as escadas do hospital até que chegou à porta do carro que esperava para raptá-lo, dirigido pelo pai, o sr. Becker. O sr. e a sra. Becker estavam em Minas Gerais a chamado do sogro do presidente, mas logo estariam de volta à cinematograficamente pacata Vila Arthur Lange, uma Pleasant Ville que seria o berço da primeira-infância do novo e terceiro membro da família Becker.
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