Dou o play. No mesmo - mesmo - momento, eu sou cercado por um surround de campainhas de telefone. Levanto e vou atender, comentando a ocorrência acausal em voz alta, mas não ouço ninguém quando deito o fone na minha orelha direita. Cercado por fantasmas. Continuo escrevendo no computador e lembro da minha (genial para mim próprio na época) constatação de que a primeira vez em que se escuta uma música nunca dantes escutada é insuperável: a intensidade primeva de que falava o amigo do Tim. O Aldous.
Os pés da alma seguem intuitivamente cada passo conduzido pela música e os pés dela, e, às vezes, a primeira vez em que se dança uma dança é a que menos se parece com uma primeira.
Olha, ter barba é ter companhia, porque dá para ficar brincando com ela. Mas uma daquelas que lembrem a pelagem do Capitão Caverna. Eu, por exemplo, consigo esconder tocos de lápis B6 na parte inferior da minha.
Quando eu era pequeno, gostava de esperar a passagem do sono para o sonho acariciando botões lisinhos de pijamas. Se eu for calssificado no concurso para o Legislativo, planejo ter em casa todos os botões bastantes para se gravar um álbum de qualidade em casa. Paredes com isolamento acústico, e uma bateria para eu subverter. Acho que os bateristas são os que menos subvertem. Alguns raros tocadores de guitarra tocam-na como se ela fosse um tambor, aproveitando o discurso do Krist no enterro do Kurt; mas os baquetistas da cidade parecem todos iguais. Deveriam observar mais o Orri Páll Dýrason varrendo os pratos.
Putz, acredite se quiser: o disléxico Replicador queimou seus olhos fazendo solda sem máscara e já entra na terceira semana de atraso para entregar o meu ProCo Turbo Rat. Minha tagima prata está lá em casa, esperando para "arder" - como ele, o Replicador, mesmo diz.
Como alguém consegue fazer isto com uma guitarra e um pedal? Quem não conhece Sonic Youth é a mulher do padre. Quem não aprecia/entende, é o padre em si. "Lero lero", diria a minha querida Manuela. Minha noiva, embora estejamos morando juntos, casados, há mais de um ano. Só nos falta trocarmos o anel-aliança de mão. E realizarmos um ato sagrado, num templo, seres mitologizadores que somos, eu e ela, a Manu.
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2005
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