Têm aparecido aqui e ali de citações da mexicana Avelina Lésper, que dariam sustentação à afirmação de que a arte contemporânea não passa de uma farsa.
Seria como nos posicionarmos pró ou contra a arte renascentista ou pró ou contra o tempo dos dinossauros, quando o que pode fazer sentido é nos debruçarmos em busca de verificar o que nesses momentos acontece.
Que haja dúvidas e até mesmo um certo pé atrás por parte do público com relação a arte mais recente, não é difícil entender. É algo que desde há muito vem-se configurando com o hiato que se foi formando entre as experiências da linha de frente e o grande público, a quem sabe-se muito bem o que os meios de comunicação costumam oferecer.
“De todos os dogmatismos que foram impostos para destruir a arte, este é o mais pernicioso. Democratizar a criação artística, como pedia Beuys, democratizou a mediocridade e a converteu em um signo da arte contemporânea.” Mas, se não é bem assim, o que importa é que essa afirmação vai servir de caminho para o ponto a que lhe interessa chegar: “Este dogma partiu da ideia destrutiva de acabar com a figura do gênio e tem uma lógica, porque os gênios . . . não necessitam curadores.” Aí o ponto, a meta principal. O contemporâneo questionamento da figura do gênio lhe aparece como uma ameaça, e é a isso que é seu propósito atacar.
Sente-se no poder de dizer o que é e o que não é arte. E é desde essa autoridade auto-outorgada que ela desafia os artistas a abrirem mão do curador e dos dogmas do sistema. “Deixem que seu trabalho fale por vocês” ela propõe. Mas o que o trabalho dirá é a ela que cabe julgar: “Sua obra dirá se são ou não artistas, e se fazem essa falsa arte, eu lhes repito, não são artistas.” E por que não são? Por que fazem o que a todo-poderosa Lésper considera “arte falsa”.
Ou seja, o que faz a teórica mexicana é justamente assumir o papel do curador poderoso que ela critica.(José Luiz do Amaral)

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