"Lars Von Trier é um fanfarrão. É impossível separar suas obras de sua persona pública, e ele sabe disso. É comum encontrar pessoas que acreditam que o diretor é uma espécie de fraude, e que seus filmes são em geral provocações vazias. Lars não parece fazer a mínima questão de combater essa percepção, pelo contrário, ele cada vez mais tem abraçado essa imagem. Quando o diretor anunciou que faria um filme 'pornográfico' com atores famosos, até veículos que não dão a mínima para filmes 'de arte' noticiaram o fato. (...) Tudo isso foi explorado de forma brilhante na comercialização de Ninfomaníaca, através de teasers descontextualizados que faziam o filme parecer especialmente sórdido e uma série de posters hilários que parecem ter sido criados com o principal objetivo de provocar quem já estava propenso a ser provocado. Quem consegue enxergar um pouco abaixo da superfície e tem o conhecimento da posição do filme como última parte da Trilogia da Depressão (que inclui Anticristo e Melancolia), no entanto, já sabia o que fica claro logo no começo dessa primeira parte: Ninfomaníaca não é um filme pornográfico sobre ninfomania, do mesmo jeito que Anticristo não é um filme de terror sobre o anticristo e Melancolia não é um filme de ficção científica sobre o fim do mundo." (Rodrigo Pinder)
"No que chegamos ao segundo grande problema do filme: o excesso de múltiplas telas, o uso recorrente de legendas gráficas diante das cenas, as imagens de arquivo a ilustrar e-xa-ta-men-te o que os dois personagens centrais falam, as metáforas pobres que ligam a procura de vários parceiros com uma pescaria, com direito a alusões recorrentes às ideias de isca e fisgada. Poesia ou apresentação em Power Point? Dúvida atroz." (Carol Almeida, que não entendeu)
Um homem de 42 anos desmaiou durante a sessão de pré-estreia do filme Ninfomaníaca, no Casa Park, na noite dessa quinta-feira (9/1). De acordo com a administração do shopping, o homem alegou não ter se alimentado direito - o que poderia teria ter sido a causa do desmaio. O marketing do filme, que estreia oficialmente nos cinemas da cidades nesta sexta-feira (10/1) foi baseado na polêmica que anunciava cenas fortes. (Correio Braziliense)
"Ninfomaníaca é pornô, arte — ou só uma provocação vazia de uma mente doentia? Lars von Trier é o arquiteto de uma coleção de provocações cinematográficas disfarçadas de arte. Seus filmes exploram as emoções humanas tanto quanto os atores que servem suas fantasias dementes. Depressivo, claustrofóbico e maníaco, von Trier se compraz em oferecer uma interpretação distorcida da personalidade humana. Filmes saudados como obras-primas por alguns, abominações por outros — são exercícios de auto-indulgência. (...) Mas von Trier é de uma liga diferente. Seu objetivo é causar, tanto quanto fazer uma declaração artística. Ele se vê como um apóstolo da licenciosidade, um homem imerso em seu próprio delírio, sem compromisso com nada nem ninguém. Isso poderia uma forma de expressão pura e corajosa, mas von Trier é tão desprovido de gosto e estrutura moral que seus filmes são realmente pornográficos, com ou sem sexo." (Harold Von Kursk, pudorado e ingenuamente recalcado)
"Equiparar o basfond da pegação à arte de pescar, e vulvas a iscas e anzóis, é, no mínimo, trazer para o cinema a leitura cínica daquelas associações que fazemos no dia a dia, em rodas de amigos, aproveitando para fazer blague das nossas vidas, ironizando a existência. Uma sacada e tanto. O realizador ainda aproveita esse contexto para debochar do próprio crítico de cinema, que enxerga imagens por trás de outras, tentando interpretar o filme, mas nunca chegando a botar a mão na massa." (Alexandre Schnabl)
"Ao menos nesta primeira parte não é possível saber se o diretor faz coro ou uma paródia dessa busca com lupa sobre como começa e onde acaba a suposta insensatez da personagem. (...) No futuro, quando for olhado em perspectiva a partir do segundo filme ainda inédito, saberemos se este cinema encabeçado por Von Trier servirá também como arma de combate ou se reforçará o ambiente lúgubre da realidade que pretende retratar. Quando a polêmica é um fim em si, e se confunde com a moral que visa escancarar, o risco é a realidade (moralista, cínica e covarde) ganhar na tela uma estética à altura: a estética da culpa." (Matheus Pichonelli/Carta Capital)
"O filme não vai decepcionar quem for ao cinema atrás de pornografia soft. Contam-se mais de dez cenas de sexo entre a Joe jovem (a bela Stacy Martin) e seus parceiros. Ela perde a virgindade com o jovem Jerome (Shia Labeouf), num ato de exatas oito penetrações. Mais tarde, com uma amiga, brinca de pegar homens casados e solteiros no trem, transando com eles no banheiro.
Já nesta primeira parte vemos cenas de sexo oral masculino e feminino, sexo anal, uma bateria de closes de pênis em série, o close de uma punção numa vagina - uma imagem incômoda que lembra a vagina decepada de 'Anticristo'. Numa montagem paralela, Joe transa com quatro caras diferentes, dizendo a cada um deles que é sua primeira vez. Há até uma penetração mostrada em close, numa das cenas de sexo entre Joe e Jerome - e na internet as pessoas devem passar as próximas semanas comentando se o pênis em close é mesmo de Shia Labeouf.
Von Trier fez um filme pornográfico? Pode-se dizer que sim, mas seu filme só deve chocar quem passou os últimos 20 anos longe do cinema." (Thiago Stivaletti, que não foi além da simploriedade de rebater a expectativa)
"A primeira polêmica envolvendo 'Ninfomaníaca Volume I', novo filme de Lars Von Trier, antes mesmo que o filme seja exibido, envolve a notícia, divulgada pelo distribuidor brasileiro, de que a versão que está sendo lançada aqui é a que foi cortada pelos produtores, com autorização de Lars Von Trier, mas sem sua participação.
A versão sem cortes vai ser divulgada em primeira mão pelo Festival de Berlim, em fevereiro." (Reuters)
"Ao recontar as aventuras de Joe adolescente e a amiga B, numa louca competição entre as duas para saber qual delas transaria com mais homens em banheiros de um trem - em troca da prosaica recompensa de um saco de bombons -, Trier mostra, novamente, seu cinismo - que, por excessivo, retira um pouco da humanidade de suas personagens.
O que não acontecia em Ondas do Destino e Dogville, filmes de escrita mais elaborada.
Alguns dos raros momentos em que Joe mostra sentimentos é ao lado do pai (Christian Slater). Ela deixa clara uma relação tóxica com a mãe (Connie Nielsen), um indício de um psicologismo um tanto óbvio na composição da personalidade da protagonista." (Neusa Barbosa)
A versão sem cortes, de cinco horas e meia, será exibida fora de concurso no Festival de Berlim, que começa dia 6 de fevereiro.
"Lars von Trier é um provocador. Mas já provou que não é um provocador adulto. Ele age como aquelas crianças mimadas que gostam de desafiar a autoridade dos pais, aquele moleque chato que sente prazer em assoprar primeiro a vela do bolo de aniversário da irmã. (...) É um discurso simplista, infantil, tolo, pouco original e trabalhado de forma excessivamente canhestra. A usual divisão em capítulos, que a cada projeto se torna mais arbitrária, promove analogias curiosas e cafonas. Vale ressaltar os vários momentos de riso involuntário que o filme suscita. O choque não nasce da exibição do órgão sexual, mas da total gratuidade de sua aparição. Existem cenas especificamente elaboradas para tentar causar o choque. Uma manipulação pouco eficiente, já que aparentemente o titereiro sofre de sérios problemas motores." (Octavio Caruso)
"O problema está nas sequência de coincidências entre cada capítulo do longa – o quarto de Seligman parece ter sido arrumado especialmente para que sua hóspede contasse sua história, ao ponto que cada elemento é muito específico para lembrar os fatos narrados. Ainda fora da narrativa da vida da ninfomaníaca, ainda temos diálogos artificiais, muito claramente construídos para possibilitar as metáforas utilizadas em cada arco dramático do filme. Não só isso, as reações de Seligman são, no mínimo, inverossímeis, demonstrando somente em alguns momentos o choque esperado ao ouvir a história de Joe. No fim parece que ele está assistindo um filme e não a realidade." (Guilherme Coral, que pode estar certo em sua opinião, mas certamente ignora que tudo isso pode ser de propósito)
"Lars deixou claro que seu filme teria mais de quatro horas de duração; mais precisamente, quase cinco. Pelo mundo, os produtores associados chiaram com a impossibilidade de colocar esse tanto de material em sessões regulares, e aproveitaram que já teriam de colocar um cabresto no filme para anunciarem que as condições eram duas: dividi-lo ao meio, para lançamento em duas partes; e retirar da produção todo o 'excesso de pornografia' existente na obra. Ora pois, ninguém percebeu que com isso a proposta corria sério risco de descer pelo ralo?" (Francisco Carbone, lúcido)
"Seligman tenta encontrar uma lógica naquilo que escuta, apelando para referências tão díspares quanto a arte da pesca da truta, os números de Fibonacci e a polifonia de Bach. Há uma disparidade aqui, um paradoxo que se entranha na alma de quem assiste ao filme sem preconceitos. A vida de Joe, de uma promiscuidade absoluta, é algo que confina com a desordem mais completa. Porém, na medida em que ela a descreve, Seligman tenta compreendê-la em termos da harmonia mais profunda - a silenciosa ordem dos números, a composição matemática de John Sebastian Bach. A vertigem do sexo num plano, a música das esferas no outro. Como se ordem e desordem, caos e cosmos estivessem contidos na humana dimensão do desejo. (...) Esse procedimento, em que a mescla de registros busca o choque do pensamento, está na base do estilo duro de Von Trier. A culpa da mãe pela morte da criança que leva ao paroxismo amoroso e à mutilação em Anticristo; o casamento feliz que se desfaz na noite de núpcias e antecede o cataclismo em Melancolia; a bondade da comunidade que primeiro acolhe e depois escraviza em Dogville - são os paradoxos desse cinema de extremos, inquieto e inquietante." (Luiz Zanin Oricchio/Estadão)
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sábado, 11 de janeiro de 2014
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