L'inconnu du lac / Um estranho no lago (2013, Alain Guiraudie)
"Alain Guiraudie é um grande poeta dos lugares desabitados, das paisagens grandiosas porém sinistras e das narrativas construídas em combinatórias que extravasam o rigor matemático para ganhar em acréscimo de densidade emocional. O espaço cênico é o tema maior de seus filmes: ele filmou uma fábrica desmontada em 'Esse velho sonho que se move', um descampado infinito em 'Por um lugar ao sol', e em 'Um estranho no lago' a locação é um paradisíaco lago isolado que se transformou em point de nudismo e de pegação gay. Se em alguns filmes anteriores de Guiraudie a sensação surreal surgia da imaginação do cineasta, aqui ela surge da própria condição do gueto homossexual, separado da sociedade, e consequentemente livre para agir conforme seus desejos e não como a ordem moral estabelece. Guiraudie sabe extrair toda aura de mistério e sensualidade do balneário improvisado, seja nas cenas de floresta, nas de natação ou nas situações de humor que intensificam o clima surreal. A precisão e a elegância no ritmo e na economia de planos, a trama de mistério servindo para discutir obsessões complexas e o poder mortífero da atração sexual. Não é filme de nicho, é cinema de verdade, com pleno domínio de linguagem, para quem gosta e sabe olhar." (Ruy Gardnier)
"Dentro do cinema hollywoodiano que se produzia nos anos 1940 e 1950, a figura de Michel se assemelharia a uma femme fatale. Um tipo de mulher perigosa, que pode ser vista também em neo-noirs produzidos nas décadas de 1980, como Corpos Ardentes (Body Heat, 1981), de Lawrence Kasdan, e 1990, como Instinto Selvagem (Basic Instinct, 1992). Quer dizer, há a mulher que é insuportavelmente atraente e que vira do avesso a cabeça do protagonista, a ponto de ele perder o bom senso." (Ailton Monteiro)


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