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segunda-feira, 25 de maio de 2009

A arte serve, sim, para representar e comunicar o (verbalmente) irrepresentável e o (verbalmente) incomunicável, mas não serve para dar sentido, acepção, significação, porque essas coisas passam pela verbalização, pela racionalidade, pela linearidade. No momento em que é possível traduzir a obra em linearidade, e essa tradução confere com uma intenção original igualmente racional do artista, tal obra já não está mais tendo o objetivo de comunicar o incomunicável. A confusão faz parte do pacote máximo de sensações que a obra pode produzir. É lindo não entender, não poder/precisar montar o quebra-cabeça, até porque não é um quebra-cabeça. Se há intenção em algum momento, ela é inconsciente, resultado de uma catarse, de uma espécie de meditação, e a sua fruição, da mesma forma, é catarse e meditação, é deixar fluir aqueles sentimentos dentro de nós.

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