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quarta-feira, 21 de maio de 2008



"Se existe algum grande mérito em 'A Via Láctea', é a vontade de experimentar de Lina Chamie. Para contar uma história que – descobrimos durante o filme – se passa na mente do protagonista no momento de sua morte, a diretora utiliza todos os recursos de linguagem que consegue imaginar: voz em off, alternância de ponto-de-vista, repetição da mesma cena com pequenas diferenças, deslocamento temporal e espacial, jump-cuts, descrição de personagens e locais à la Ilha das Flores, meta-linguagem, mudanças de registro (poético, literário, teatral, naturalista) ou de suporte (é captado em DV, Super-16 e 35mm), sujeira, granulação, e esta lista pode continuar quase infinitamente. Na construção sonora, mistura trilha sonora de desenhos animados, os barulhos da cidade de São Paulo, diversas vozes sobrepostas, notícias de rádio e televisão, música original e um tanto de outras idéias (tantas que impossíveis de identificar em uma primeira visão). Essa profusão de elementos procura construir, através de uma complexa estrutura, o resgate do amor entre duas pessoas após uma grande briga, na metrópole de São Paulo. E, infelizmente, o filme peca por, no meio de tantas idéias, não alcançar nunca o sentimento desejado." (Leonardo Levis/Contracampo)

O crítico Leonardo recheia sua análise de merecido apontamento das enormes falhas desse filme brasileiro. No entanto, ele consegue escrever uma primeira e uma última frase que escorregam no sabonete, tentando aliviar o que não precisa ser aliviado, colocando no bloco de texto extremidades que nada tem a ver com todo o recheio. Ademais, não faz sentido justificar um mau filme pela tentativa da diretora, pois senão isso poderia ser feito com qualquer filme ruim. Como se vê, eu gosto de criticar críticas. A minha tese de mestrado será assim, se um dia ela existir. A propósito, eis o último parágrafo da resenha do Leonardo, para ler a referida última frase.

"Assim, ficamos com uma obra cuja força parece sempre disposta a surgir, mas que permanece inacessível para o espectador, presa no escombro das mil possibilidades. Afinal, ao escolher tudo, e sempre, a diretora faz perder o valor de suas escolhas, ou mesmo o de seus significados. Assim, atropela a duração, o ritmo e, finalmente, o sentimento que só pode surgir de tudo isso. Ao espectador, cabe talvez admirar ao longe a vontade e o risco, ainda que o produto final esteja um tanto aquém deste impulso inicial." (Leonardo Levis/Contracampo)

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