Se continuar desse jeito e a Vida Simples ver isso, quando o Muriel voltar, ele tem emprego numa grande revista. Encontrar o graal é pouco. Isso quer dizer que, independentemente de qualquer coisa, um conhecimento desses assim conquistado acaba confluindo para encharcar positivamente toda a vida daqui para diante.
"Viver é uma coisa óbvia. Mas então por quê nos custa tanto aprender? Tem uma teorizinha que ensaiei dois minutos atrás: toda coisa quando vista diretamente surge como óbvia. O óbvio é a sensação que vem na experiência direta das coisas. A vida portanto só pode ser vivida em sua obviedade, na sua experiência direta, que é o que torna ela óbvia. O que dificulta tudo é que nós nos encarregamos de esconder a sua obviedade, de pensá-la, idealizá-la. Então passamos uma boa parte das nossas vidas cavocando cavocando cavocando em nossos pensamentos e ideais em busca da experiência direta, sem intermediários imagéticos, o fluxo mesmo das coisas, que quanto aparece se mostra tão óbvio que a gente tem de imediato a reação de voltar atrás, refluindo em pensamentos contrários, como que num arrependimento expresso por não termos visto antes tão antes o que é óbvio tão óbvio, tal é a ambigüidade da sensação da obviedade. Viver, concluo, é tão óbvio que para um cidadão mais ou menos instruído é natural duvidar. Mas como assim? Não pode ser tão óbvio assim. Vou pensar numa forma mais complexa ou mais profunda. Nada, é óbvio sim, é simples assim, sem segredos. Sejamos óbvios, sejamos felizes!" ('Amar a solidão do outro')
"Tenho observado em mim e nos meus amigos daqui as mais diferentes formas de lidar com a difícil balança da necessidade de segurança e da instabilidade de todas as coisas. Há sem dúvida soluções admiráveis e simples, as quais eu mesmo não entendo e até invejo, assim como já vi gente patinando nos seus medos sem a menor noção de que podiam dispôr de formas mais sofisticadas pra lidar com isso. Eu acho que me situo num padrão meio médio, meia boca, longe de ser dos mais eficazes pelo menos é saudável e realista. Abaixo de mim estão aqueles que não conseguem ficar sozinhos nem por dois segundos, os que bebem ou fumam regularmente, os que estão sempre em atividade, os que trabalham demais, os que sonham demais. Peraí, nessa última categoria eu também me situo. É uma questão complexa, eu sei. Necessidade de segurança é coisa legítima e justa, tomos precisamos e merecemos ter alguma, a vida é inviável sem algum tipo de segurança, mesmo que possamos dizer que não existem seguranças e garantias ou, como os budistas, que tudo é ilusão. Que seja, sem ilusões é impossível sobreviver, falo por experiência própria. Da mesma forma que com ilusões demais ou dando solidez demais às ilusões, o buraco é o mesmo. Assim, ao que parece, a melhor posição pra balança é a do meio, viver a ilusão mas saber ver através dela, buscar sim a segurança mas entrever a sua inconsistência, seja ela a mulher amada, o carro do ano, o trabalho bem realizado. No fundo, sabemos, não é preciso fazer nada, a gente realmente não precisaria de nada pra seguir vivendo. (...) Mas o que eu quero dizer é no fundo óbvio, como tudo o que é difícil de enxergar: a obtenção da segurança passa pelo saber lidar com a instabilidade, que é da onde surge a flexibilidade. Flexibilidade pra lidar com os sonhos, com os desejos, com a realidade, com o passado, flexibilidade pra suportar a segurança e a insegurança, flexibilidade pra suportar ser e não ser várias vezes ao dia, flexibilidade pra ser feliz e infeliz a cada vez. (...)" ('A necessidade de estar seguro')
"Um sofisma: nós podemos ser o que nós quisermos. Em certo sentido sim, podemos. O que os sofistas dessa escola não dizem é que, se você é o que você quer, sem respeitar o que você é em sua natureza, você é uma mentira pra si mesmo, você vive uma vida fora de esquadro, doente. Verdades relativas e verdades absolutas. A relativa é que sim, podemos ser o que quisermos, o menu de formas humanas e de estilos de vida é vasto e podemos viver a experiência que nos der na telha. No entanto, a verdade absoluta diz que só existe uma vida autêntica e que ela reside em nossa própria natureza. Portanto, há uma escolha aí. Ou você opta por ter uma vida de experiências ou você opta pela sua natureza. Se você quer se sentir confortável dentro de si mesmo, opte pela segunda via, sem dúvida. De outro modo, será difícil parar de saltar de galho em galho. (...)" ('Marcando a posição')
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domingo, 18 de maio de 2008
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