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terça-feira, 13 de maio de 2008

Na minha terceira ida a estádio desde a adultez, pude perceber o seguinte. Quarenta mil torcedores de um mesmo time poderia parecer uma irmandade incondicional, devido ao avassalador número de "iguais" e a uma esmagadora maioria. Mas não é. Muitos colorados ficam o tempo todo com a esperança de encontrar um gremista disfarçado de colorado. A coloradez fica sendo colocada em dúvida o tempo todo, nas arquibancadas. (Inclusive jogadores são acusados.) No banheiro, por exemplo, quem demora para mijar "só pode ser da Azenha". O jogo era Inter x Sport, e, para os torcedores do Inter, o inimigo não era o pernambucano rubro-negro, mas o time que nem estava ali, o torcedor que passa longe do Beira-Rio quando não é Gre-Nal. Isso reforça a tese de que a rivalidade entre clubes de futebol está no lugar da rivalidade de povos guerreiros na Idade Média. Quem não está na guerra do tráfico, está na guerra do futebol. (E tem gente que deve estar nas duas.) Para o homo sapiens animalesco, é preciso estar em combate com algum grupo inimigo para sentir-se vivo, se não ele não sabe para onde canalizar a energia. Rivalidade binômica à parte, o incondicional aparece mesmo é do nada, como na pancadaria que aconteceu bem do meu lado, naquele jogo de quarta passada. Cerca de dez pessoas estavam envolvidas em se defender e atacar dois (outros) caras bêbados - inclusive um adolescente, com pedalaço. E aqui entra uma outra questão, muito enfocada com a nova lei do Campeonato Brasileiro, de que é proibida a venda de bebida alcoólica nos estádios. Dizem que não adianta, porque vendem cerveja ali fora do estádio e, mesmo se não vendessem, talvez fosse pior porque as pessoas já viriam bêbadas de casa, e de vinho ou cachaça. Mas o que é isso? Essas pessoas são realmente torcedoras? Elas vão ao estádio para ver o time, para ver um jogo de futebol, para cantar e torcer, ou para ficar bêbadas? Se o Inter estivesse mal, mas o Inter está bem, então para que fugir da consciência? Para que não ver a vitória com os olhos completamente não-turvos? Ficar bêbadas para quê? Para brigar? Ou somente com álcool é possível cantar? Ou somente com álcool é possível divertir-se? No dia em que o Inter fez 8x1 no Juventude, passamos, eu e a Juliana, de carro na frente do Beira-Rio para buzinar e participar de alguma forma daquela festa, já que não havíamos ido ao jogo. Vimos uma faixa grande, meio faixa meio bandeira, com três palavras, verbos na primeira pessoa do presente do indicativo: BEBO, CANTO, BRIGO.

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