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quarta-feira, 12 de março de 2003

"[Dedalus] Viu os olhos dela, em atitude séria, observarem-no lá do meio da assistência e a sua imagem imediatamente desfez os seus escrúpulos, deixando-lhe uma vontade compacta. Era como se uma outra natureza lhe tivesse sido emprestada; o contágio da excitação e da mocidade à sua volta penetrou-o e transformou o seu feitio desconfiado. Por um momento raro sentiu-se como que revestido pelo traje real da infância; (...)" (JOYCE, James. Retrato do artista quando jovem.)

Seria o amor uma tentativa de voltar ao amor incondicional da família na infância, à felicidade ingênua de menino? Eu gostaria de estudar mais a relação daquele período com a formação da personalidade. Talvez tenha que ler Freud. Eu queria saber quantas das travas que eu tenho hoje vieram de lá. Pior é que eu não me lembro direito de como era. Lembro que eu sofria, mas não como e nem quando. Criança não tem consciência disso, não reflete sobre isso. Mas sempre parece-me que um dia eu tinha certas potências que eu pareço não ter hoje.

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