Como valorizador da beleza da arte e das almas bonitas, observar é um dos seus maiores poderes. E foi assim que não sei quando ele observou pela primeira vez o sorriso da menina das tatuagens de estrelinhas. Talvez passando pelo corredor e dando aquele oi de quem nunca se conheceu mas que parece que sim. Um sorriso daqueles é como um buraco negro para alguém como ele: não tem como não ser sugado para dentro; não tem como não ser um convite para a sua intromissão. Um sorriso que manifesta a alma na sua forma mais intensa, positivamente.
Mas quando a imagem dela fixou de vez em seus olhos foi na hemeroteca da universidade, quando os dois pesquisavam algo em mesas vizinhas, e ele então não pôde deixar de perceber os contornos do desenho dela e os movimentos que esses contornos faziam. (Uma beleza radioativa, assim, que é a única forma de beleza que ele enxerga, que é a própria noção de beleza dele, é mesmo rara.) Percebeu também que fica meio desajeitado perante ela, coisa que acontece quando ele gosta bastante de uma pessoa; vem da ansiedade do presente e da insegurança do passado.
O rapaz então perguntava para as pessoas quem era a menina das tatuagens de estrelinhas, mas ninguém sabia. Sua intromissão estava impedida pela sua timidez relativa e pelo desconhecimento do nome da menina. Mas uns quatro semestres depois, ou cinco, descobriu que um amigo seu a conhecia, e então ele a conheceu. Não, ele não passou a achá-la menos bonita ou menos simpática; não. Agora eles se falam, e agora ele está escrevendo algo para ela. Só para início de conversa.
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