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sexta-feira, 14 de março de 2003

"Uma rapariga apareceu diante dele no meio da correnteza; sozinha e quieta, contemplando o mar. Era como se magicamente tivesse sido transformada na semelhança mesma duma estranha e linda ave marinha. Suas longas pernas, esguias e nuas, eram delicadas como um grou, e eram claras até onde a esmeralda da água do mar as rodeava, marcando a sua carne. (...) O peito era o de um pássaro, macio e leve . . .

Ela estava sozinha, contemplando o mar; e quando lhe sentiu a presença e o olhar maravilhado, volveu até ele os olhos numa calma aceitação do seu deslumbramento, sem pejo nem luxúria. Muito, muito tempo agüentou ela aquela contemplação; e depois, calmamente, afastou os olhos dele e os abaixou para a correnteza, graciosamente enrugando a água com o pé, para lá e para cá.

(...) A imagem dela entrara na sua alma para sempre . . . Os olhos dela o tinham chamado: e sua alma saltara a tal apelo. Viver, errar, cair, triunfar, recriar a vida para além da vida! Um anjo selvagem lhe tinha aparecido, o anjo da mocidade e da beleza mortal . . . Seguir, seguir, sempre para diante, para diante!" (JOYCE)

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