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quinta-feira, 13 de março de 2003

Eu li isto ontem no metrô (com aquela titica na cabeça): "O terror do sono excitava o seu espírito à medida que observava a região silenciosa ou ouvia, de quando em quando, a respiração profunda ou algum súbito movimento do pai durante o sono. A vizinhança de pessoas invisíveis adormecidas enchia-o de estranho pavor, e rogava que o dia chegasse logo. Tais rogos, dirigidos não a Deus nem a nenhum santo, começaram com sobressaltos de arrepio, visto a gelada brisa matinal entrar pelas frestas da porta do vagão para os seus pés, e acabaram numa enfiada de palavras sem nexo, que proferia ajustando-as ao ritmo insistente do trem. Silenciosamente, com intervalos de quatro segundos, os postes telegráficos riscavam o galope das notas de música, intercalando-se nos compassos pontuais. Essa música furiosa acalmou o seu temor e, apoiando-se contra a borda da janela, deixou que os seus olhos se fechassem outra vez." (JOYCE, James. Retrato do artista quando jovem.) Ler Joyce com titica na cabeça é muito bom. As imagens agridem a imaginação intensificada. Eu reli algumas vezes esse trecho com um sentimento de perplexidade acerca do que ele estava dizendo. Percebi a fissura no texto: o enlouquecimento do personagem (e do) narrador. Depois, eu ri sozinho, satisfeito.

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