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sexta-feira, 7 de março de 2003

O Muriel me emprestou Retrato Do Artista Quando Jovem, do James Joyce, escritor preferido dele, para me iniciar. Comecei a ler nesta manhã de sono e cansaço de ontem, pela caminhada até o apartamento do Pingarilho, onde tratamos sobre as ilustrações do Ambivalência e vimos (a Gabriela também) os vídeos dele, incluindo o (já elogiado por mim) Cantsin Kitten e um curto Joicedrops (da mulher dele) sobre o amor de um menino olhudo e um cachorrinho, com uma referência ao cão das lágrimas do Ensaio Sobre A Cegueira, do José Saramago: perfeito.

O sono desta manhã atrapalhou o começo da leitura. Porque o texto do Joyce remete a imagens e a uma representação escrita do texto que corre no pensamento. Mas agora (12:15) parece que fui fisgado. Minha primeira percepção foi a comparação com o estilo do Nick Hornby. Um Grande Garoto certamente foi influenciado por James Joyce. Olha só algumas passagens do Retrato Do Artista Quando Jovem:

Sua mãe dissera-lhe para não falar com os meninos grosseiros do colégio. Aquilo é que era mãe!

(...)

Havia dois registros que a gente virava e a água saía logo: quente e fria. Experimentara a fria e depois, um pouquinho, a quente; e vira as palavras impressas nas torneiras. Que coisa mais esquisita.

Em ambos os livros os autores falam do personagem principal, que é um garoto, citam suas falas com travessões, mas, ao mesmo tempo, usam a linguagem dele, a linguagem de garoto, o modo de pensar dele, do garoto, na hora de eles, o autores, serem apenas os narradores (ou de PARECEREM ser apenas os narradores). Mais um parágrafo (talvez o melhor dos que eu já li até agora):

Não, não era a cara de Wells; era a do prefeito. Ele não estava fingindo. Não, não: ele estava doente deveras. Não era fingimento não. Sentiu a mão do prefeito na sua testa; e sentiu a testa quente e úmida de encontro à mão fria e úmida do prefeito. Era a mesma sensação que um rato produzia: visguenta, úmida e fria. Todos os ratos tinham dois olhinhos para espiar por eles. Uma pele lustrosa e mole, umas patinhas muito pequeninas dobradas para dar um salto, uns olhinhos negros gelatinosos para espiar por eles. Eles sabiam de que jeito deviam pular. Mas o espírito dos ratos era incapaz de compreender trigonometria. Quando estavam mortos ficavam tombados de lado. Seus corpos secavam logo. Ficavam sendo apenas coisas mortas.

Isso de trazer de novo um pedaço de frase usado antes é algo que eu faço às vezes, como no poema Está Saindo Um Troço Estranho (Ambivalência: coming soon/stay tuned). Muitas vezes um autor nos fisga quando tem estilo ou conteúdo com o qual nos identificamos. Quando me apaixonei por Nietzsche e Schopenhauer era porque eu li que eles haviam escrito sobre as mesmas coisas que eu andava pensando.

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