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sexta-feira, 31 de janeiro de 2003

( )
O Rio Grande do Sul tem o pior clima.
Valeu a pena ter ido ontem na fraquinha (às 22h, porque começou às 19h) festa da Fabico só por ter podido falar segundos com o Bruno Galera e o Cardoso, caras de quem eu gosto bastante, mas com quem não tive até hoje muitas oportunidades de falar. Os dois me constrageram ao expressarem que eu já deixei alguma marca na história recente do rock gaúcho. Puta merda, fiquei feliz ao imaginar a real ocorrência do fato. Se bem que esses dias eu já andei pensando que tive a incrível sorte de ter sido convidado para tocar nas cinco melhores bandas do Rio Grande do Sul: Poliéster, Tom Bloch, Deus E O Diabo (não passou de convite porque era para eu tocar teclado e não há nada faltando na banda), Blanched e Wafers (apesar de eu não ter ouvido ainda, faz show só de Sonic Youth, e isso basta).

quinta-feira, 30 de janeiro de 2003

Transformei-me no pequeno Marcus. Estou cantarolando em qualquer lugar e a qualquer hora. Deve ser porque estive no inferno eu fiquei um degrau mais louco. E também porque as coisas continuam melhorando. Eu quero cantar maiS. O Mauricio me deu outra novidade: que eu também vou cantar músicas do Sonic Youth. Como guitarrista, vou "ser" o Lee Ranaldo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2003

Prozak toca Nirvana e Wafers toca Sonic Youth:
Terça Clássica, 4 de fevereiro, 22h.
8 1/2 Bar, R. Sarmento Leite, 880, Cidade Baixa, Porto Alegre.
R$ 5,00.

terça-feira, 28 de janeiro de 2003

Estou há 28 horas acordado. Vou ficar umas 35 no total. Altered beast. Mas valeu a pena. Tudo está valendo a pena. Tudo pode valer a pena. (Eu espero que sim.)

Jupiter Apple é 40% ex-Além D´Alma. Além de o Rodrigo estar tocando bateria, a Cuca está tocando teclado - e o Pingüim. A Talita canta MUITO bem. A abertura do show de ontem foi da Laranja Freak, que começou com a ótima surpresa Spectreman.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2003

cocaína
cachaça
maconha
cerveja
free (acendido e mordido pela Samantha)
marlboro (acendido e mordido pela Samantha)
maconha
vinho - e
NENHUMA
ressaca.
O melhor momento da sexta-feira foi conhecer o Nicolas, um francês de Lyon descendente de italianos. Eu estava observando a dança do talharim, da qual a Priscilla, menina campograndense de encantadores movimentos, estava participando. Falei alguma coisa com um cara que também estava observando. Ele é de Barretos. Falei alguma coisa com um cara que chegou. Ele respondeu "I´m french. I don´t speak portuguese. Do you speak english?". Estendi a mão e girei ela para lá e para cá. Foi viciante falar em inglês com o Nicolas. Entendi tudo o que ele disse e consegui que ele também me entendesse. Surpreendentemente descobri que consigo conversar em inglês, pelo menos com alguém cuja primeira língua não seja o inglês. Ele gosta de Air, Daft Punk, Muse. Conhece Mogwai. Indiquei Godspeed You Black Emperor!, a canadian post rock band. Ele participa de uma organização ativista chamada Atac, criada aqui, no Fórum do ano passado. Ontem falei com uma austríaca que também participa da Atac. Ela disse que estave havendo um big meeting de pessoas de todo mundo da Atac. O Nicolas conhece world social forums de vários países, but Porto Alegre is special. "Alegria! Is the word correct?". Sim. Dei meu e-mail para ele, vamos ver se ele me escreve.
Just a perfect day: saturday, january 25, 2003. Problems all left alone. I was someone else: nenhuma ansiedade, nenhuma frustração, nenhuma comparação, nenhuma pressa. Just spending time. Estou aprendendo. Estou melhorando. Estou mudando. O Marcos ficou feliz com isso. Eu fiquei feliz porque o Marcos ficou feliz com isso. Ele disse "Está todo mundo feliz". Eu disse "É...". I´m glad I spent it with you: beautiful Bela and beautiful Belle. Oh, such a perfect day. They just keep me hanging on. Beijar dois amigos no rosto também me deixou feliz, assim como dar colo para um amigo e, para uma amiga, colo e ombro para sonos curtos. Também a alegria de uma pequena amiga quando me encontrou. I´m glad I spent it with all of you. Sometimes there´s so much beauty in the world I feel like I can´t take it, like my heart´s going to cave in. And thank you Lou Reed, Vincent Gallo, Sam Mendes and Wes Bantley. PS: Para completar o dia perfeito, algo que vai mudar minha vida para sempre. A banda Wafers faz cover de Sonic Youth "em cima", com o Mauricio (que tem o personagem-projeto Zé do Bêlo) tocando guitarra nas afinações alteradas e cantando Thurston e Lee e a mulher dele tocando baixo e cantando Kim Gordon. E eles estão precisando de mais um guitarrista. Não preciso dizer o resto. (Vou sumir. Vai ficar uma luz no meu lugar.)
Pessoas que eu conheci ou com quem tive algum contato no Fórum Social Mundial e no Ossip desde sexta-feira até ontem:

Adriano, Alberto, Alex Witt, Andréa, Basso, Bela Expedito, Belle, Betinho, Caon, Carla, Carol Beal, Churrasco, Dani Dall´Agnol, Daniela e Fabiana, Edu Normann e Mari Kircher, Fergs, Gabriel Izidoro, Giuseppe Zani, Jamile, José Fernando, Juba e Flávia, Júlia Capovilla, Juliana Purple, Kellen Z, Kika, Kip e Lu, Lena, Leo Felipe, Leobrit, Leonardo Fleck, Manuel Montenegro, Marcos Ludwig, Marilu, Mauricio Wafers e esposa, Mauricio Flach Renner, Michel Vontobel e simpática esposa, Michele Goo, Mini, Muriel Paraboni, Nayara De Marco, Nicolas, Norton Fontella, Patrícia Francisco, Paula, Paula Beninca, Pedro Belleza, Pig, Priscilla Bitencourt (de Campo Grande), Rodrigo Barba, Rogério Beninca e esposa, Samantha Carvalho (filha do presidente do Inter...), Ticiana, um de Barretos (SP), uma austríaca, uma de São Carlos (SP), Wagner e Célia, Zé Closs.

Se faltou alguém, quando eu lembrar eu acrescento.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2003

"o rock morreu" = 197 resultados
"o rock está morto" = 25 resultados
"rock is dead" = 16.500 resultados
"el rock está muerto" = 81 resultados
Total (em apenas três línguas) = 16.803 resultados

Não existe (nada) original. Um neurônio basta para perceber isto. Não é questão de cópia, revival, revisionismo ou comparação. É questão de referências. Toda arte faz-se evoluindo o que se fez antes. (Tudo o que somos veio de referências.) O próprio rock não surgiu do nada. (Tanto que não há limites claros entre rótulo algum; o único consenso é que tudo se trata de música.) Tudo vem de alguma coisa, e isso não é vergonha nenhuma. O pensamento é associativo: tudo que se pensa vem de um pensamento anterior, e os semiólogos chamam essa associação de signos de semiose.

Jamais tudo vai ser criado. As possibilidades são infinitas, já disse o David Lynch - e eu sempre vou repetir. A arte não pára nunca, pois o que a cria também nunca pára.

A questão de que o rock teria morrido porque morreu a atitude que o acompanhou no início não tem nada a ver com arte, porque arte não tem a ver com atitude, e minha análise é sobre o rock como música e música como arte. Mesmo porque a queixa popular é de que não existe nada novo, e o novo na música é a arte. Mas esse novo não significa original, porque não existe original. O novo talvez seja provocar sensações nunca antes provocadas da mesma forma. Talvez seja criar sem outros objetivos que não os estéticos. Arte.

Diz-se que o rock morreu desde a década de 60, como lembrou o Lou Reed ou o David Bowie num documentário do People+Arts. E até hoje diz-se a mesma coisa com a sensação de que está sendo dita pela primeira vez. Como se o indivíduo, ingênuo e ao mesmo tempo pretensioso, estivesse, justamente ele, no ponto exato de uma morte e do fim de todas as criações. Na próxima década, vão dizer que o rock morreu e que nesta década em que vivemos agora ele ainda estava vivo. Ou seja, o rock está sempre morto no presente e vivo no passado. Assim como as pessoas sempre acham que o passado delas era muito mais bonito que o presente. É simples: são mecanismos do cérebro.

A sensação de que nada está sendo "original" passa com o tempo. Quando o Radiohead surgiu dizia-se que ele parecia isso e parecia aquilo. Agora, depois de alguns anos, diz-se que nada é como o Radiohead, tanto que não existe rótulo para a banda. Até o Pablo Honey não se compara com obra alguma de outra banda.

Quando bandas acabam também é fácil ouvir que "Agora o rock morreu". Talvez quando Strokes e Interpol, "cópias" e "hypes", pararem de tocar, vamos ouvir que "Agora o rock morreu". Quando o Nirvana surgiu havia o mesmo torcimento de nariz pelo fato de ele ser hype. Depois a banda acabou e hoje acham que o Nirvana surgiu do nada.

É claro que a maioria das bandas que existem não são boas nem novas, mas foi assim com todas as coisas da vida e do mundo em todos os períodos da história, e vai continuar sendo para sempre. É assim com as pessoas legais, por exemplo. A qualidade está sempre numa minoria que precisa ser garimpada. O rock alternativo não precisa e nem deve atingir o maior número de criadores e fruidores possível. Os movimentos alternativos são qualitativos: quando os fruidores e criadores são realmente interessados. Ou seja, sem relações diretas com o comércio, apenas com a arte.
esta menina
é tão mais bonita
do que a poesia.
é tão mais poesia
do que F. Pessoa.

ela é viva.
fala sorrindo,
com toda a alma
e o próprio rosto,
além do corpo inteiro.

a amiga loira dela,
que parecia mais bonita,
está escondida
para que eu veja
só a que brilha
(mesmo sem saber se
a outra também não).

língua
e dentes
separados
e olhos
e boca
sorridentes:
tudo dança
o balé
da beleza.

tem covinhas.
põe a mão na
boca quando ri.

estou me
apropriando
da imagem dela,
observando e
escrevendo
aqui neste trem.

agora ela também
está escondida.
deve ser para eu
não ficar doente.
devo parar.
ou espio
por frestas
entre as
pessoas.

Fiz uma cópia resumida para entregar para ela. Rasguei o papel e dobrei. Só assinei, para deixar que ela me encontre de alguma forma, se quiser. Logo mudei de idéia, pensando que seria injusto se ela gostasse do poema e não tivesse contato comigo nunca, e escrevi o e-mail no verso. Esperei um bom momento para a entrega. Só que as condições espaciais e a coragem não foram compatíveis. Ela desceu na Estação Sapucaia. Foi para a porta e muitos outros acumularam-se atrás dela, evitando que eu fosse até lá e entregasse o papelzinho. Talvez se eu encontrá-la de novo um dia.
O negócio está violento. Quase chegando no trabalho, há pouco, vinha um grupo de meninas argentinas (presumo serem argentinas). Uma delas terminava de falar algo e gargalhava. Quando ela me viu, colocou a mira em mim, sorridente e com os olhos grandes e loucos, e, enquanto eu ia passando por ela e ela ia passando por mim, o foco de ambos não mudava, as cabeças giraram, e, finalmente, ela deu um grito-gemido. Puta merda. Eu amo a beleza. Eu amo a beleza das etnias e das suas misturas. Sotaques de línguas estrangeiras excitam. Depois deste fim de semana de Fórum, eu vou ter que consultar com o dr. Schuck. Me espera com textos do Juremir, Luciano.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2003

As pessoas realmente não têm vergonha de inventar discursos. E apesar de eu achar o Marcelo Silva Costa muito gente-fina e um cara que realmente faz (Scream & Yell, Revista Zero, Tsc Tsc Tsc), ele escreve tudo aquilo que não me agrada. Esse papo de que o rock morreu ou está morrendo é o fim da várzea! Outra hipótese forte é: Com certeza as pessoas não encontram o novo porque não gostam dele ou não entendem ele. Não adianta procurar o novo gostando de clichês. A arte não pára. Nunca.

"(...) o estilo continua vigoroso, embora já não estampe a virulência/contundência/aura mítica de outrora. Claro, já faz tempo que não existem tantas novidades nessa bolota azul e seria exigir demais de um estilo musical ser o portador das boas novas. (...) amarga um revival, muito semelhante à autocópia. Para que criar se quase tudo foi criado e, melhor, deu certo anteriormente? (...) qualquer coisa agora tem sentido de dejà-vu. O que outrora era genial hoje é apenas legal. (...) Estático, o rock parece morrer, novamente, sob o olhar babão de jovens que não têm nada a dizer. (...) O grande problema é que o que chamam de revisionismo soa como picaretagem das maiores. É muito mais fácil tentar tocar como Lou Reed e cantar como Ian Curtis do que buscar a sonhada personalidade própria. É mais fácil recriar o som punk 77 do que criar o som rock 2002. A juventude sônica carente de história ("BRMC soa como Jesus & Mary Chain e McLusky soa como Pixies, mas quem são Jesus & Mary Chain e Pixies?") engole o engodo, mas não consegue expandir horizontes. Vivemos tempos de pequenos núcleos. Revolução mundial nunca mais. (...) De Nova York a Londres, nada de novo no front. As mesmas caras, as mesmas roupas, os mesmos batons, os mesmos riffs, as mesmas histórias."
[manifesto do amigo-mesmo]

os amigos-mesmo
(que têm as mesmas
referências) DEVEM
juntar-se de vez,
juntar as forças
- e FAZER. (a
vida se faz.)

inventar mitologias juvenis;
criar poli-logias e interligações;
tornar a coisa cada vez mais
histórica. (e divertida.)

estetizar a microvida
(combinação de coisas
num momento da vida)
e estetizar a macrovida
(combinação de momentos
da vida numa coisa).

guardar todas as idéias e
ir cultivando uma por uma.

mostrar:
para que veio?,
o que sabe?,
o que sente?,
o que quer?;
para que está
trabalhando?,
para onde vai
o dinheiro?.

as forças são a alma manifesta.
sem manifestação não há história.
sem história não há transcendência.
sem transcendência não há vida.

+ genialidade criativa
+ organização esquizofrênica
+ loucura diferenciadora
+ conhecimento do caminho
= reconhecimento merecido.

amar.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2003

"As mulheres levaram gerações para nos ensinar o sentido emocional de um relacionamento. Hoje, após finalmente aprendermos a lição, quando já enraizamos a noção da importância de se ter alguém ao nosso lado, elas decidem ver como é estar do outro lado do punhal." (Frances, comentando Madi)
(...) Adoro pau mole
porque tocar um pressupõe a existência de uma liberdade
e de uma intimidade que eu prezo e quero, sempre.

Porque ele é ícone do pós-sexo,
que é intrínseca e automaticamente
(ainda que talvez um pouco antecipadamente)
sempre um pré-sexo também (...)

(Maria Rezende)

terça-feira, 21 de janeiro de 2003

Será que existe realmente aquilo em que se pensava muito na adolescência: as faixas de compatibilidade de beleza (ou seja, simplificando: os mais bonitos "ficam" com as mais bonitas, os médios com as médias e os feios com as feias), independentemente da "beleza interna" (isto é: da compatibilidade das almas)?
Ambivalência é o nome de um projeto poético do Muriel e meu. Aguarde detalhes. Por enquanto, um poema e dois belos trechos do Muriel:

O eu e o eu no outro
(Muriel Paraboni)

Tente prestar bem a atenção
Pois aqui proponho um pequeno enigma
Que versa um tanto pelo que somos nós na paixão dos outros
Outro tanto pelo que somos nós em nossas próprias paixões

Todos aqueles que me apetecem a alma
Se tornam eu mesmo neles próprios
Eu sou os outros e os outros são eu
Sem jamais sermos iguais somos um só igual

Quando os outros se tornam eu para mim
Eu sou os outros para mim mesmo também
E os outros são o próprio eu em mim mesmo
Eles sendo sempre eles e eu sendo sempre eu

Nos afetos e nos carinhos e nas paixões
Somos outro de nós mesmos numa vida nova
Que em nós e no outro brota nessa unidade rara
De existir e sentir em dois lugares ao mesmo tempo

Nessa hora tudo se torna relativamente quieto
E o tempo e o espaço se unificam numa coisa só
Tempo interno e tempo físico e tempo abstrato
Dentro e fora coexiste o outro e eu sou eu dentro e fora

Agora porém é que vem a parte mais complicada e triste
Quando o outro é eu e eu sou o outro numa unidade nova
A negação do eu pelo outro é a negação de mim mesmo
Ser negado pelo outro é como negar-se a si próprio

Quando o outro deixa de se ver em mim
E quando o outro já não me vê em si
O mais triste é sentir que negou-se a si mesmo na dimensão da alma
E que dentro de nós nos negamos a nós mesmos sem qualquer perdão

Limbo
(Muriel Paraboni)

(...) Peguei carona num caminhão que ia pra qualquer lugar que não fosse suficientemente longe para não chegar nunca
Nas primeiras horas da estranha viagem confidenciei aos porcos da carroceria todas as minhas paixões
Vi e senti no pesar daqueles numerosos e tristes e negros olhos um sentimento amigo e cúmplice (...)

Farelos esquizóides
(Muriel Paraboni)

(...) Esperança há aos montes mas ninguém mais sabe qual o objeto que brilha do outro lado da palavra
Se não sabem de si e se não sabem dos outros e se não sabem da vida e se não sabem de nada
Não há que buscar por coisa alguma no pantanal profundo da lixeira triste das suas próprias misérias

Cada um tem uma história e um ponto de referência claro para o mundo que tem diante dos olhos
Existe um mundo novo e diferente para cada ser errante de coração e alma pelo mundo afora
Não há que existir qualquer entendimento certo quando o mundo gira ou quando o mundo pára
Estamos desequilibrados e por isso distanciados uns dos outros numa associação fragmentária (...)
O Invasor é um filme muito bom. Mas melhor ainda é o Paulo Miklos interpretando o invasor e a Mariana Ximenez lambendo toda a cara dele. Vendo ela dormindo na última cena, chega-se à conclusão de que a boca é uma das suas partes mais impressionantes.
Vou ler O mundo como vontade e representação, do Arthur Schopenhauer. (Só não sei que história é essa de "Livro IV".)
^ ^
o O
(00)

T. A. Z. The Temporary Autonomous Zone, Ontological Anarchy, Poetic Terrorism
By Hakim Bey
Autonomedia Anti-copyright, 1985, 1991. May be freely pirated & quoted...

segunda-feira, 20 de janeiro de 2003

Nome Completo: John Christopher Depp III
Natural de: Owensboro, Kentucky, EUA
Nascimento: 9 de junho de 1963

Cara, quanta gente pronuncia Johnny Deep! A Andréa Paiva chegou a apostar que é essa a pronúncia certa, justamente porque ela acredita que o sobrenome do Joãozinho é Fundo; mas aqui estou eu para provar que é Depp e não Deep. Nada mais seguro do que cartazes de alguns filmes com o rapaz: Don Juan Demarco, Edward mãos-de-tesoura, Ed Wood e Medo e delírio.
Depois de uma semana de sonos curtos: sexta-feira eu dormi às 21h, acordei às 4h, conectei, voltei a dormir às 6h, acordei às 10h. Nada como um descanso. O sábado começou bem, com o efêmero quinto estágio.

5. [esperança]

bom dia, dia !
a esperança
hurra, irradia.
o sono é tempo:
passa e faz passar.
o sonho é vento:
renova e faz
nascer de novo.
"as possibilidades
são infinitas",
como disse o
David Lynch.

Voltou a ficar agradável das 16h às 0h, quando pela primeira vez pude desfrutar da companhia da Carol por mais que um tempo de almoço. Tomamos chimarrão no parque, deitamos no pano de infância dela, que eu sujei com eski-bom, conversamos e olhamos para cima, para o céu e as árvores altas. Depois na casa dela, me embuchei com uma pizza muzzarela apimentada e t(r)ocamos violão e cordas vocais. Pela primeira vez, também, eu ouvi ela cantar (Kiss Me, uma da PJ Harvey, aquela linda e singela do Velvet Underground e o comecinho de Be My Baby, de Blister In The Sun, do Violent Femmes, e do hit do Veruca Salt), desde que a conheci em 12 de junho de 2001, quando ela tocou e cantou (?!) no show de aniversário da Viés. Gostei.

Mas o costume (do passado recente e falta de costume com a nova realidade) ainda me angustia. Eu me vejo freqüentemente indo na direção do refúgio, tento alcançar ele dentro de mim, e então cada vez eu me surpreendo porque ele não existe mais. O domingo, mesmo com as conversas prazerosas com os amigos sintonizados, foi de mal-estar. Um momento mágico foi conhecer a Andréa Paiva, 32, cuja personalidade e experiência produziram bons comentários sobre a minha situação, os quais me deixaram leve por alguns momentos.

Acho que eu preciso tocar o máximo que eu puder.
3º Fórum Social Mundial
Sala Cinco do Acampamento Intercontinental da Juventude

Orangotangos, de Muriel Paraboni e Otavio Feldens
Trilha sonora de Marcelo Fruet
(Mostra de Curta-Metragens em VHS / Dia 20 a partir das 22h)

Miopia, de Muriel Paraboni
Trilha sonora de Douglas Dickel, Marcelo Fruet, Otávio Boto e Muriel Paraboni
(Mostra de Curtas-Metragens em 16mm - Dia 25 a partir das 22h)
- Vamos ver se não tem nada que quer ser encontrado? - disse o Suzin, simpatizante do Fatalismo.

Eu e ele nos separamos do Muriel, que foi trabalhar um pouco, e começamos a caminhar no 3º FSM. Cruzamos com uma menina que eu já tinha visto muitas vezes no caminho do Mercado até o Centro Administrativo. Ela é bonita, e ela sorria quando passava por mim e eu olhava para ela. Magra, um pouco alta, olhos azuis, suspeito de origem italiana. Não é o tipo de beleza que eu acho mais bonito, mas ela é bonita.

No fim, demos meia-volta e paramos onde verificamos, na ida, ser o centro da movimentação: uma apresentação de teatro tradicionalista gaúcho. Paramos. Não demorou muito e a menina e uma amiga pararam do nosso lado. Da esquerda para a direita: Suzin, eu, a amiga e a menina. Sem hesitar, ela disse para mim:

- Vocês não estão acampados aqui.
- Tem razão. Como é que tu sabe?

Ela me olhou de cima até embaixo e não disse mais nada. Eu e o Suzin estávamos limpos, calçávamos tênis, não estávamos com os pés descalços e empoeirados e não nos vestíamos como hippies. Mas, ela, sim. Apesar de deixar à mostra várias partes do apreciável corpo (principalmente as costas, os ombros e os braços), usava uma saia comprida riponga (bem diferente das suas roupas de cores escuras dos dias de semana), o que é sempre sinal de uma sexualidade meio mística, pouco sexual, de acordo com a minha tese.

- Tu trabalha na Borges mesmo? - perguntei. E ela ficou deslumbrada. Ou apavorada.
- Não, mas como é que tu me conhece?
- Eu passo por ti quase todos os dias.
- Ah, eu sou míope. De manhã ou de tardezinha?
- De manhã. Eu descendo e tu subindo.

Mais deslumbre. Ou pavor.

- E acho que na maioria das vezes foi embaixo do viaduto da Borges - detalhei.

Pavor! (Ou não.)

A amiga deu passos para trás; e a menina, para a esquerda. Ela notou minha camiseta recém-escrita, com trechos sobre o niilismo, do Nietzsche. Quis ler. Enquanto lia, segurei a mão dela, que ela havia movimentado na minha direção, altura da cintura.

- Eu também tenho camisetas escritas, mas fui eu que escrevi, essa tua deve ser comprada.
- Não. Fui eu que fiz. Ontem.
- Eu tenho 15 camisetas brancas. Agora 12, porque escrevi em três.

O nome dela pronuncia-se Léslei e ela é protagonista da peça Repulsa Ao Nexo (claro: repulsa ao nexo: mulheres...), em cartaz nesta quarta e quinta no Teatro Cia de Arte (Andradas, 1780).

sexta-feira, 17 de janeiro de 2003

Blanc, o animalzinho da família Leonardo, é um multi-animal.

1. Ovelhinha: ele é uma ovelhinha.
2. Cabrito: ele caminha e corre pulando.
3. Canguru: ele caminha e corre pulando.
4. Tamanduá: ele come formigas.
5. Ursinho: ele é um ursinho da Coca-Cola.
6. Guepardo: ele corre muito rápido quando quer.
7. Cachorro: ele é até um cachorro.
8. Ave:

O depoimento de uma dona-de-casa comprova a existência de um oitavo animal num mesmo ser vivo. "Quando eu olhei pela janela eu vi um cachorro voando raso. Temi."

Blanc Sees The Sea

Leonardo Fleck [guitarra]
Marcos Ludwig [baixo]
Madi [gritos]
Gabriela [presença]
Douglas Dickel [baqueta da Graforréia Xilarmônica, pote de arroz e parte de metal de um ex-espelho]

Coming soon. Stay tuned.
[ridículo]

o tempo fora
do trabalho e
do descanso
do trabalho é
ridiculamente
curto.

[bem também] gabi*

acredito profundamente
que você vai ficar bem.
torço por isso.
torço por você.
e por mim também!

(*Novamente: trecho de e-mail apoemado por mim, o Apoemador Maluco.)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2003

Enquanto os sonhos de ter uma câmera fotográfica digital e tirar fotos de vira-latas não se realizam, dificultados ainda mais agora com as implicações financeiras do divórcio, tenho que me contentar em admirar as belezas capturadas pela Carmela, que antecipou a "minha" idéia para ilustrar o projeto musical multinacional Viralata, dela com o Charles Di Pinto, produtor da Tom Bloch.
Eis três coisas bonitas em homenagem aos afogados pela recente onda internacional de desistências. Já faz tempo que eu não agüento mais pensar, falar e ouvir o mesmo assunto; mas, é natural, e é melhor deixá-lo se esvair do que trancá-lo no estômago. Que me desculpem os que não se identificam. Isso vai passar também: questão de tempo.

[soneto da separação] vinícius de morais

de repente do riso fez-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
e das bocas unidas fez-se a espuma
e das mãos espalmadas fez-se o espanto.

de repente da calma fez-se o vento
que dos olhos desfez a última chama
e da paixão fez-se o pressentimento
e do momento imóvel fez-se o drama.

de repente, não mais que de repente
fez-se de triste o que se fez amante
e de sozinho o que se fez contente.

fez-se do amigo próximo o distante
fez-se da vida uma aventura errante
de repente, não mais que de repente.

[existo] vinícius de morais

eu não existo sem você
assim como o oceano
só é belo com luar
assim como a canção
só tem razão se se cantar
assim como uma nuvem
só acontece se chover
assim como o poeta
só é grande se sofrer
assim como viver
sem ter amor não é viver
não há você sem mim
e eu não existo sem você

[o amor] pedro verissimo

eu encontrei o amor
e foi como quebrar os dentes
o amor foi como um acidente
foi cortante de repente
o amor foi como um acidente
e olha o que restou

eu desviei do amor
mas foi como bater de frente
o amor foi como um acidente
foi cruel, inconseqüente
o amor foi como um acidente
e ninguém se salvou

quarta-feira, 15 de janeiro de 2003

[re: (con)seqüências] carlo pianta*

e aí rapaz?

fico feliz de
saber que
estás vivo.

o resto
é a vida!

(* parte de e-mail apoemada por mim)
Desde que eu brinquei pela primeira vez com o formato que o Bukowski usava para escrever os poemas dele, eu fiz 25 poemas, entre bobos e bonitos. Para comemorar, mais um, com duas frases nascidas em conversas com a Gabriela por telefone:

[suspirando]

os livros
legais são
tão legais...

os gênios
lindos são
tão gênios...
Novo (já não tão novo assim) recorde meu em Memória: 58 pontos. Alguém conseguiu entender algum dia como se joga Lógica?
Merendas minhas através dos tempos:

1. Mirabel
2. Deditos
3. chocolate Surpresa
4. cacetinho com salamito e maionese
5. Pingo D´Ouro
6. Toddynho
7. pastelina Pavioli
8. bolo feito pela Madi
9. "buena vista"
Por que eu não consigo me entregar aos Smashing Pumpkins, apesar de adorar a Mellon Collie And The Infinite Sadness: "O Zwan, a nova banda do ex-pumpkin Billy Corgan, gravou uma cover do clássico Number Of The Beast, do Iron Maiden." (Pensata)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2003

[existiu?]

se já não existe mais,
existiu algum dia?
ou depois que parou de existir,
como só o agora é que existe,
na verdade nada nunca existiu?
A existência me dói.
A existência é linda.
E o barco continua balançando...

(John Voyers)
Eu não consigo mais escolher um vídeo pornográfico pela capa: sempre tem pelo menos uma mulher bastante desagradável na fita e há uma fixação exagerada por sexo anal - todo o resto, o tesão animal natural, praticamente não existe. As pessoas não se esfregam, não se lambem, e, se duvidar, nem suam. Abundam os clichês culturais ridículos e brochantes da indústria pornográfica. Outra coisa curiosa: não há vídeos - ou pelo menos não há capas - com sexo entre mulheres. Procurei desses porque não tenho esperança quanto aos atores masculinos, que são uns cavalos com cérebro de minhoca; e atrizes até que tem algumas com alma.

Vasculhando o enorme acervo da Vídeo Klip, um andar inteiro, acabei não encontrando nada e escolhendo um vídeo duplo com a capa toda preta, sem fotos: Buttman Confidential (Buttman é o John Stagliano, rei da indústria do vídeo pornô, acho que é italiano radicado nos EUA, fissurado por bundas e cus, portador de HIV). Pelo menos alguma coisa interessante teria ali. E tem. Há momentos de pornô experimental, até. Não vou falar mais para valorizar o fator capa-toda-preta.
Finalmente a coerência: o curso universitário que eu fiz tanto é uma fraude e não ensina nada, que não é mais necessário ter diploma de jornalista para escrever neste país. Talvez agora, aqueles que gostam de escrever deixem de cogitar o jornalismo para as suas vidas. Coitados dos cursos de publicidade e propaganda, que vão receber a migração desses ingênuos, futuros desiludidos. Quem gosta de escrever deve pensar em arte, não em profissão.
Três vídeos que entraram nos meus olhos nos últimos meses e são obras-primas sobre o amor:

1. Before Sunrise (Antes Do Amanhecer), do Richard Linklater, diretor de Waking Life
2. o clipe de Dirty Boots, do Sonic Youth, que eu poderia ficar vendo SEM PARAR
3. Lucía Y El Sexo (Lúcia E O Sexo), filme espanhol, PERFEITO
4. [solidão]

quem é que vai me ajudar agora?
eu preciso de ajuda!
não consigo viver sozinho.

o maior prazer agora
é a hora de chorar.

sábado, 11 de janeiro de 2003

[eraser] trent reznor

need you
dream you
find you
taste you
fuck you
use you
scar you
break you
lose me
hate me
smach me
erase me

[hurt]

...
i focus on the pain
the only thing that´s real
...

[la mer]

and when the day arrives
i´ll become the sky
and i´ll become the sea

and the sea will come to kiss me
for i am going
home

nothing can stop me now
[através]

- vai querer uva? -
a menina perguntou.
- acho que sim :)
e ela sorriu:
ela realmente
me viu.
[zero] billy corgan

...
she´s all i really need
cause she´s the one for me
emptiness is loneliness
and loneliness is cleanliness
and cleanliness is godliness
and god is empty just like me
...

[hope] michael stipe

you want go out friday
and you want to go forever.
you know that it sounds childish
that you´ve dream of alligators.
you hope that we are with you
and you hope you´re recognized
you want to go forever
you see it in my eyes.
i´m lost in the confusion
and it doesn´t seem to matter
you really can´t believe it
and you hope it´s getting better
...

[night of a thousand furry toys] rick wright

...
and a sound you´ve never heard before, you screaming
welcome to the world of random noise
...

sexta-feira, 10 de janeiro de 2003

10 coisas que eu odeio ingerir:

1. ervilha
2. orégano
3. manga
4. refrigerante light
5. limão no refrigerante
6. presunto na lasanha
7. pizza de calabresa
8. erva doce
9. chocolate branco
10. PIMENTA
Insalubridade: eu passo as manhãs e as tardes dos dias de trabalho com um Pentium de 75 MHz com 32 Mb de memória RAM.
Ô rapaz!

Não há muito o que dizer quando alguém que amamos decide que seu caminho não é mais conosco. Isso acontece tanto, com tanta gente, e não adianta -- a dor que sentimos não diminui por conta da freqüência dessas coisas no mundo. Acho que o que se pode fazer em momentos assim é o que todo mundo diz que alivia um pouco -- muito foco nos projetos e atividades pessoais, e, nas horas vagas, dependendo do temperamento, buscar o silêncio e/ou os amigos do peito. Uma coisa é certa: não importando o que se queira, isso passa. Como todo o resto.

Mas até lá, uma sugestão -- não trivialize a dor. Nem a negue. Procure convertê-la em algo produtivo, num empuxo para algo criativo. Um sujeito como você termina achando um jeito ou outro, cedo ou tarde, de fazer isso.

No mais, estamos por aqui.

Abraço afetuoso,

Sérgio.

Eu sabia que esse meu amigo (professor de Estética em Brasília) teria algo importante para me dizer. Nada muito diferente do que já me disseram, mas a forma com que ele disse e o fato de ter partido das experiências dele fazem a diferença, a importância para mim. Eu chego a ouvir a voz dele dizendo tais palavras.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2003

TODO MUNDO TEM TATUAGEM é a frase que eu estou dizendo quando vejo alguém com uma. (No supermercado Nacional de São Leopoldo, que é pequeno, havia quatro pessoas com tatuagem fazendo compras no mesmo momento, esses dias.)
Oi, Belle. Oi, Gabriela. Oi, eu. Se a Belle tivesse um collie o nome dele iria ser Melão. Se a Gabriela tivesse um cocker o nome dele iria ser Jarvis. Se eu tivesse um beagle o nome dele iria ser... Umbigo. Vamos tê-los, aí podemos juntar o Melão, o Jarvis e o Umbigo para uma festinha! [E o Lúpi. (Se eu tivesse um lúpi o nome dele iria ser Dachsund.)] Eu queria muito ter um cachorrinho, um amiguinho. (Eu sempre tive, dos 0 aos 16.) Mas isso é muito difícil num apartamento com carpete e onde eu guardo muitas coisas no chão que são comestíveis por cães; eu iria ficar muito brabo com ele.
Eu e o Muriel chegamos à conclusão de que está acontecendo neste momento uma revolução internacional das mulheres de mais ou menos 21 anos. Estão sendo vários os casos de separação e em todos são elas que terminam e de uma hora para a outra. Isso deve estar relacionado com a tese de que o homem é mais racional: o amor para ele é escolha, além de sentimento, e uma coisa influencia a outra. Já o sentimento da mulher é mais aquoso, menos sólido: se tem um furinho, por menor que seja, ele se vai.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2003

SURREAL é a minha situação.

Não bastasse a dor e o vazio, agora veio a ansiedade. (O que vai ser daqui a pouco?) A dor é insuportável, o vazio é amedrontador e a ansiedade é perturbadora.
O cristianismo é uma religião que tem como símbolo um instrumento de tortura. Os cristãos têm vergonha de uma fotografia pornográfica e orgulham-se da imagem de um cara pregado. Falando nisso, é a BBC que está dizendo: "Milagres de Cristo podem ter sido feitos com maconha". (Minha teoria começa a ganhar sinais científicos...) A tese foi publicada numa revista especializada em drogas chamada High Times. Para curar, o Messias teria usado um óleo, de acordo com as escrituras em hebreu do livro do Êxodo, que "continha até 2 kg de keneh-bosum - uma substância identificada por respeitados lingüistas, antropólogos, botânicos e outros estudiosos como maconha, com a adição de óleo de oliva e outras ervas”.
Estive na praia pela primeira vez depois dos meus aprofundamentos filosóficos e sob estado alterado. A primeira coisa que eu percebi é que aquele é único local onde se pode ver tantos centímetros cúbicos dos corpos femininos (o Sofazão não conta pois tem suas características peculiares, como público limitado e pouca luz). Foi a primeira vez em que eu estive na praia sem evitar o prazer estético dos meus olhares fixos para os corpos de humanos do sexo oposto. É uma maravilha. Depois percebi que estava todo mundo quase pelado, fazendo carícias em si mesmo ao passar o protetor solar, mas sem se sentir sexual. Um casal jogando frescobol de cueca, calcinha e sutiã em plena luz do sol, enquanto que fora da praia o moralismo e o auto-moralismo não abrem nenhuma exceção.
F=1/(1+N), sendo F o índice feminino de evolução sexual e coerência vestuária e N o número de vezes por minuto que a fêmea abaixa a parte inferior da blusa e levanta a parte superior da calça.
"Que passa, passa, mas é, sim, o inferno!" (Muriel)

terça-feira, 7 de janeiro de 2003

Consideremos a existência do tempo e de um gráfico do tempo. Amor é a melhor coisa que existe: infinito horizontalmente. Sexo é a melhor coisa que existe: infinito verticalmente. Eu queria poder fazer muito sexo nos dias que se seguem, como antídoto para a dor, reflorestamento da minha alma. Sexo faz esquecer que o tempo existe, ou melhor, que qualquer outra coisa existe; e disso eu preciso.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2003

Acaba de chegar um casal de velhinhos alegres aqui no trabalho. "Estes dois, só a morte separa. Nem a morte!", disse o velhinho, com os olhos derramando brilho, sobre si mesmo e sua Talita. "Um é pelo outro", diz ela. "Quanto tempo vocês estão juntos?", perguntei. "44 anos."
Chuck Noland passou anos sozinho e sofrendo na ilha deserta, querendo sair dali e voltar para o amor da sua vida. Quando conseguiu realizar o que ele mais queria, o amor da sua vida não era mais correspondido. Então, mesmo na civilização da terra firme, ele ficou vazio e, sentado numa cadeira e brincando de fazer fogo fácil com um isqueiro, perguntou a si mesmo:
Quem sou eu? (E agora?)
[vida?]

o indivíduo é uma
cela
solitária
de segurança máxima
com prisão perpétua
e cadeira elétrica.

sábado, 4 de janeiro de 2003



I thought you loved me more than anything,
and I thought you would come back to me.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2003

Agora eu estou morto. Não posso nem dar tchau porque eu não estou mais aqui.
O medo asfixia.
Omissão da verdade é também mentira - silenciosa.
[sem título]

a mentira
suja
a vida.
O paraíso acabou se transformando no INFERNO. (Começando com o magoamento inevitável de um amigo.) O tema de 2003 é o computador da Golden Heart que calcula a improbabilidade infinita. Na realidade, é a ocorrência do não-planejado, ou a realização de um não-planejado planejado. Foi assim que aconteceu o INFERNO, que teve como clímax um não-planejamento omitido, em Imbé e depois Torres. Foi assim também que aconteceu a única salvação dos dias 31 e 1: a surpresa alegre de a Belle ter aparecido depois de eu achar que não a veríamos, terminando em carinhos não-planejados porém não-omitidos, agradáveis (incluindo o raro silêncio não-desconfortante) e amenizadores da dor que estava apenas começando em forma de confusão e incerteza. Marcas na alma. Desculpas ao Muriel, pois não pude me concentrar nas suas exposições de Hegel e Kant, nem lhe dar a atenção merecida; ao Vicente, pois não pude continuar compartilhando seu humor incomparável; e à infinita beleza das estrelas, dos vaga-lumes e das paisagens bélicas e apocalípticas contruídas pelo ser humano, retocadas pela atmosfera esfumaçada e pela arte psicodélica produzidas pelos fogos de artifício, que por infelicidade não vai permanecer pura na minha lembrança. Menção honrosa ao Built To Spill, que sempre vai aumentando pontos na minha alma. E ainda temos três dias para tentarmos salvar a visita da Gabriela, já que pudemos desfrutar apenas muito pouco da nossa amizade nos últimos dez dias.