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Não existe (nada) original. Um neurônio basta para perceber isto. Não é questão de cópia, revival, revisionismo ou comparação. É questão de referências. Toda arte faz-se evoluindo o que se fez antes. (Tudo o que somos veio de referências.) O próprio rock não surgiu do nada. (Tanto que não há limites claros entre rótulo algum; o único consenso é que tudo se trata de música.) Tudo vem de alguma coisa, e isso não é vergonha nenhuma. O pensamento é associativo: tudo que se pensa vem de um pensamento anterior, e os semiólogos chamam essa associação de signos de semiose.
Jamais tudo vai ser criado. As possibilidades são infinitas, já disse o David Lynch - e eu sempre vou repetir. A arte não pára nunca, pois o que a cria também nunca pára.
A questão de que o rock teria morrido porque morreu a atitude que o acompanhou no início não tem nada a ver com arte, porque arte não tem a ver com atitude, e minha análise é sobre o rock como música e música como arte. Mesmo porque a queixa popular é de que não existe nada novo, e o novo na música é a arte. Mas esse novo não significa original, porque não existe original. O novo talvez seja provocar sensações nunca antes provocadas da mesma forma. Talvez seja criar sem outros objetivos que não os estéticos. Arte.
Diz-se que o rock morreu desde a década de 60, como lembrou o Lou Reed ou o David Bowie num documentário do People+Arts. E até hoje diz-se a mesma coisa com a sensação de que está sendo dita pela primeira vez. Como se o indivíduo, ingênuo e ao mesmo tempo pretensioso, estivesse, justamente ele, no ponto exato de uma morte e do fim de todas as criações. Na próxima década, vão dizer que o rock morreu e que nesta década em que vivemos agora ele ainda estava vivo. Ou seja, o rock está sempre morto no presente e vivo no passado. Assim como as pessoas sempre acham que o passado delas era muito mais bonito que o presente. É simples: são mecanismos do cérebro.
A sensação de que nada está sendo "original" passa com o tempo. Quando o Radiohead surgiu dizia-se que ele parecia isso e parecia aquilo. Agora, depois de alguns anos, diz-se que nada é como o Radiohead, tanto que não existe rótulo para a banda. Até o Pablo Honey não se compara com obra alguma de outra banda.
Quando bandas acabam também é fácil ouvir que "Agora o rock morreu". Talvez quando Strokes e Interpol, "cópias" e "hypes", pararem de tocar, vamos ouvir que "Agora o rock morreu". Quando o Nirvana surgiu havia o mesmo torcimento de nariz pelo fato de ele ser hype. Depois a banda acabou e hoje acham que o Nirvana surgiu do nada.
É claro que a maioria das bandas que existem não são boas nem novas, mas foi assim com todas as coisas da vida e do mundo em todos os períodos da história, e vai continuar sendo para sempre. É assim com as pessoas legais, por exemplo. A qualidade está sempre numa minoria que precisa ser garimpada. O rock alternativo não precisa e nem deve atingir o maior número de criadores e fruidores possível. Os movimentos alternativos são qualitativos: quando os fruidores e criadores são realmente interessados. Ou seja, sem relações diretas com o comércio, apenas com a arte.
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