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terça-feira, 21 de janeiro de 2003

Ambivalência é o nome de um projeto poético do Muriel e meu. Aguarde detalhes. Por enquanto, um poema e dois belos trechos do Muriel:

O eu e o eu no outro
(Muriel Paraboni)

Tente prestar bem a atenção
Pois aqui proponho um pequeno enigma
Que versa um tanto pelo que somos nós na paixão dos outros
Outro tanto pelo que somos nós em nossas próprias paixões

Todos aqueles que me apetecem a alma
Se tornam eu mesmo neles próprios
Eu sou os outros e os outros são eu
Sem jamais sermos iguais somos um só igual

Quando os outros se tornam eu para mim
Eu sou os outros para mim mesmo também
E os outros são o próprio eu em mim mesmo
Eles sendo sempre eles e eu sendo sempre eu

Nos afetos e nos carinhos e nas paixões
Somos outro de nós mesmos numa vida nova
Que em nós e no outro brota nessa unidade rara
De existir e sentir em dois lugares ao mesmo tempo

Nessa hora tudo se torna relativamente quieto
E o tempo e o espaço se unificam numa coisa só
Tempo interno e tempo físico e tempo abstrato
Dentro e fora coexiste o outro e eu sou eu dentro e fora

Agora porém é que vem a parte mais complicada e triste
Quando o outro é eu e eu sou o outro numa unidade nova
A negação do eu pelo outro é a negação de mim mesmo
Ser negado pelo outro é como negar-se a si próprio

Quando o outro deixa de se ver em mim
E quando o outro já não me vê em si
O mais triste é sentir que negou-se a si mesmo na dimensão da alma
E que dentro de nós nos negamos a nós mesmos sem qualquer perdão

Limbo
(Muriel Paraboni)

(...) Peguei carona num caminhão que ia pra qualquer lugar que não fosse suficientemente longe para não chegar nunca
Nas primeiras horas da estranha viagem confidenciei aos porcos da carroceria todas as minhas paixões
Vi e senti no pesar daqueles numerosos e tristes e negros olhos um sentimento amigo e cúmplice (...)

Farelos esquizóides
(Muriel Paraboni)

(...) Esperança há aos montes mas ninguém mais sabe qual o objeto que brilha do outro lado da palavra
Se não sabem de si e se não sabem dos outros e se não sabem da vida e se não sabem de nada
Não há que buscar por coisa alguma no pantanal profundo da lixeira triste das suas próprias misérias

Cada um tem uma história e um ponto de referência claro para o mundo que tem diante dos olhos
Existe um mundo novo e diferente para cada ser errante de coração e alma pelo mundo afora
Não há que existir qualquer entendimento certo quando o mundo gira ou quando o mundo pára
Estamos desequilibrados e por isso distanciados uns dos outros numa associação fragmentária (...)

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