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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Tunga
Eixo Exógeno (Lucélia Santos), 1986
madeira e aço inox
165 cm (altura)
Reprodução Fotográfica Wilton Montenegro/Arquivo Histórico Wanda Severo da Fundação Bienal de São Paulo



O que você vê aqui em cima?
Dica: é usada a mesma "técnica" de inversão da Rachel Whiteread.


Se não viu nada além de um objeto de madeira, leia abaixo:

"As obras de Tunga são marcadas pela ambiguidade, pela proliferação de sentidos. Artista vinculado à tradição barroca, nele interessa o momento em que uma coisa, sem abandonar sua própria natureza, termina por se converter em outra, num jogo de reversão contínua. Eixo Exógeno ilustra essa vocação. A primeira vista parece-nos uma escultura, um totem torneado de cima à baixo. Repentinamente, emergem de seus contornos laterais uma mesma figura feminina duplicada. Aquilo que até então era totem passa a ser o espaço materializado que existe entre essas duas figuras. Um verdadeiro jogo gestáltico de onde os termos fundo e figura se revertem perpetuamente. No caso o corpo tangível, a escultura, é o espaço que sobra entre a figura feminina e ela mesma. O positivo, o corpo real é aqui, por obra dessa alquimia, transformado em corpo virtual."

Se ainda não viu, clique aqui.

Mas uma ressalva: a figura feminino, o corpo da Lucélia não é duplicado. É um mesmo corpo contido no infinito, porque a escultura é tridimensional, digamos que teve um molde cilíndrico, não é uma chapa de madeira com apenas dois lados com uma silhueta de mulher recortada. TUDO é a mulher, exceto o objeto de madeira, que é a única coisa que vemos numa primeira olhada, guiados pela preguiça do cérebro, calcado nos modelos de percepção.



Em mim ficou a dúvida se a silhueta é uma homenagem à Lucélia Santos ou se ela de fato serviu de modelo. A escultura tem 1m65cm e ela tem 1m55cm, de modo que os outros 10cm podem ser a base do pedestal.

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