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domingo, 11 de outubro de 2009

As mágoas vão rolar
Eugenio Mussak/Vida Simples


Perdoar é o ato de libertar o outro da culpa, mas é mais que isso. Em sua função libertária, o perdão liberta quem o pratica. É um ato de grandeza de espírito, que representa, acima de tudo, uma doação.

For-give, vor-geben, per-dón, perdão. Praticamente em todos os idiomas a palavra perdoar obedece a sua origem do latim vulgar perdonare, que é formada pela junção do prefixo per (através de) com a palavra donare, que representa o ato de doar ou, melhor ainda, dar-se.

Depois de muitos séculos e de muitas refl exões e textos sobre o assunto, a filósofa alemã Hannah Arendt, que migrou para os Estados Unidos com a ascensão do nazismo, escreveu, em seu livro 'A condição humana', que o perdão é uma resposta libertária: "[o perdão] é a única forma de reação que não 're-age' apenas, mas age de novo e inesperadamente, sem ser condicionada pelo ato que provocou e de cujas consequências liberta tanto quem perdoa quanto o que é perdoado [...] é a liberação dos grilhões da vingança".

É de autoria de Freud o notável texto 'Repetição, lembrança, translaboração'. Nele, o pai da psicanálise propõe que o inconsciente, que aprisiona a pessoa no passado e não permite que ela conviva em harmonia com o presente nem consiga ver esperança no futuro, seja examinado com coragem e grandeza suficiente para produzir o mais importante dos perdões: o perdão a si mesmo.

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