O mais profundo é a pele, disse Paul Valéry
(Ines Pais)
No mundo ocidental, quando pensamos em pele, tendemos a pensar numa superfície viva, pilosa, inodor, cirúrgica. Tendemos a conceptualizar a pele como uma espécie de elemento abstracto e autónomo, como um objecto sem sujeito, reduzido a aspectos técnicos ou simplesmente às suas qualidades visíveis.
A abordagem da pele que mais se aproxima do meu entendimento pessoal deste suporte, no contexto do meu trabalho artístico, é a abordagem holística. O holismo encara a pele não apenas enquanto órgão ou fragmento do corpo, mas como uma parte de um todo (sistema complexo). A pele não é mera superfície, não existe separadamente de uma conjuntura que lhe dá sentido, estrutura esta que a justifica, que a torna distinta.
Há sempre um desencontro entre o que as coisas são na sua realidade, na sua existência, e a forma como as transportamos para o plano das ideias. Esta descentralização é uma forma de nos afastarmos da realidade, de lhe conquistarmos distância, no entanto a pele torna-se um suporte muito mais interessante quando abordada na sua unicidade e complexidade.

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