COULTER-SMITH, Graham. Deconstructing installation art. 2006.
"Dada a intenção do avant-gardista para pôr de lado a arte como uma esfera que é separada da prática da vida, é lógico eliminar a antítese entre produtor e receptor. Não é por acaso que as instruções de [Tristan] Tzara sobre como fazer um poema dadaísta e que as instruções de [André] Breton para escrever textos automáticos têm o caráter de receitas. Isso representa não somente um ataque polêmico à criatividade individual do artista; a receita é para seguir literalmente como propondo uma atividade possível na parte do receptor. Os textos automáticos também podem ser lidos como guias para produção individual. Mas tal produção não é para ser entendida como produção artística, mas como parte de uma prática de vida libertadora. É isso que Breton quer dizer quando defende que a poesia deve ser praticada." (BÜRGER, Peter. Theory of the Avant-Garde.)
A partir da análise de Bürger, é possível entender Readymade, automatismo e montagem como tecnologias criativas ou como jogos criativos, os quais podem ser jogados por qualquer um. Mas o peso da tradição tem garantido que os artistas mantenham os jogos criativos para si. Não estamos falando aqui em termos de jogos com vencedores e perdedores, mas de jogos criativos nos quais há regras que podem ser distorcidas e quebradas introduzindo-se novos movimentos ao jogo. Idealmente se poderia chegar a uma posição na qual o participante-observador estaria apto a manipular não só o jogo como também as regras. (...)
Uma imersão sensorial total pode ter um efeito semelhante ao da 'arte da retina' que Duchamp rejeitou em favor de uma arte das ideias. Tem-se notado também que dadaísmo e surrealismo não são só um componente crucial da genealogia da instalação, mas também foram caracterizados por uma itnesecção entre arte visual e dimensão literária. As estratégias narrativas não-lineares da montage e a oportunidade pioneirizada pelo dadaísmo e pelo surrealismo são tão cruciais para a arte desconstrutiva que é possível dizer que instalação que se compromete com sensação pura sem uma dimensão de narrativa não-linear não chega a ser desconstrutiva; torna-se, ao invés disso, semelhante à 'arte da retinal'.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
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