"Como não me concentrei demasiado na escola, tenho andado aos tombos à procura do caminho. Nunca encarei as coisas como se estivesse numa expedição científica ou num projeto de investigação médica com um objetivo preciso. As coisas que faço têm obedecido a uma mesma lei mas só involuntariamente. A verdade é que penso que a maioria das artes aspira à condição da música. A pintura, a escultura, o cinema, têm algo muito musical. Sempre encarei a música como uma espécie de animal selvagem. Quando o passamos para o papel é como se estivéssemos a colocar as grades de uma jaula atrás da qual prendemos o animal. E ele, o que quer, é sair dali. Por vezes, quando a escrevemos, a música não se sente feliz de ser escrita. Dizemos que gostamos de música mas o que queremos é que a música goste de nós, que ela continue a chegar até nós, a soprar-nos no rosto. Como conseguir que isso nunca pare, não sei. Quando dizemos que a inspiração secou, que temos um bloqueio criativo, o que aconteceu foi que, por algum tempo, a música deixou de gostar de nós, talvez por algo errado que fizemos. Como um castigo do céu. Eu quero que a música continue a gostar de mim e escrevê-la nem sempre é a melhor homenagem que lhe podemos prestar." (Tom Waits)
LISBOA, João. Prova de contacto. Lisboa: 1998.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
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