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quarta-feira, 17 de junho de 2009

SEXO E NATUREZA
(Lúcio Ramos)


(...) É possível que o verdadeiro objetivo a ser buscado não seja provar que o homossexualismo é tão natural quanto a heterossexualidade mas, pelo contrário, demonstrar que o heterossexualismo é que é tão antinatural quanto a homossexualidade.

Afinal, o que vem a ser o sexo natural que religiosos e educadores vêm brandindo há séculos como contraponto a esse inominável pecado, a essa doença vergonhosa que é o homossexualismo? É o sexo voltado para a procriação e que tem os animais como modelo ou, pelo menos, como símbolo no imaginário popular.

Agora bem, a sexualidade animal, pelo menos no que se refere aos mamíferos, é totalmente controlada por um mecanismo bioquímico conhecido como cio. Periodicamente, a fêmea do animal ovula e seu organismo produz hormônios que desencadeiam no macho um estado de excitação sexual. Os dois animais copulam, o esperma do macho fecunda o óvulo da fêmea e, imediatamente, cessa a produção de hormônios sexuais, que só voltará a ser ativada depois do nascimento da prole, no próximo período de cio. Entre um cio e outro, o animal não conhece a excitação sexual, que é interrompida no momento mesmo em que ocorre a fecundação. Trata-se de um mecanismo tão automático quanto um programa de computador e é preciso ter a visão tapada por todo tipo de antolhos religiosos ou moralistas para não perceber que ele não tem a menor analogia com a sexualidade humana.

De fato, o principal objetivo que leva os casais humanos a terem uma relação sexual não é o impulso de ter um bebê. Se a cada relação sexual correspondesse uma gravidez, como ocorre com os animais, esse mundo que já anda superpovoado teria rebentado pelas costuras há séculos. Mais importante do que a reprodução é o carinho, o afeto e mesmo o puro prazer pelo contato físico que se expressa através do sexo.

Para resumir, pode-se dizer que, no caso do ser humano, ainda que continue eventualmente servindo à procriação, o sexo adquiriu uma importância muito maior como instrumento de comunicação emocional entre duas (ou mais, não sejamos preconceituosos) pessoas. Portanto, há muito que a nossa sexualidade deixou para trás suas finalidades biológicas naturais, para se tornar um importante fator sócio-cultural. E não existe nenhum motivo pelo qual a troca de carinho, afeto e prazer deva se restringir a pessoas do sexo oposto.

Assim, o homossexualismo é, realmente, um ato antinatural, mas longe de ser um vício, essa é sua maior virtude. Ele prova da maneira mais contundente que o homem, ao contrário dos animais, não é escravo de sua programação biológica e dispõe de liberdade para decidir seus próprios caminhos.

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