QUINN, Daniel. Ismael: um romance da condição humana.
(...)
PROFESSOR procura aluno. Deve ter um desejo sincero de salvar o mundo. Candidatar-se pessoalmente.
(...)
[O narrador vai lá e o professor é um gorila chamado Ismael.]
– E tem tido muitos alunos?
– Tive quatro, e fracassei com os quatro.
– Por que fracassou?
Ele fechou os olhos e pensou um pouco.
– Fracassei porque subestimei a dificuldade do que tentava ensinar e porque não entendia a mente dos alunos o suficiente.
– Entendo – disse eu. – E o que você ensina?
Ismael selecionou um ramo novo da pilha à sua direita, examinou-o brevemente e começou a mordiscá-lo, olhando-me com languidar. Enfim respondeu:
– Baseando-se em minha história, que assunto diria que estou mais preparado para ensinar?
Olhei-o sem entender e respondi que não sabia.
– Claro que sabe. Meu assunto é cativeiro.
– Cativeiro?
– Correto.
Fiquei quieto por um minuto, depois disse:
– Estou tentando imaginar o que isso tem a ver com salvar o mundo.
Ismael pensou um pouco.
– Dentre as pessoas de sua cultura, quais desejam destruir o mundo?
– Quais desejam destruir o mundo? Até onde eu saiba, ninguém especificamente deseja destruir o mundo.
– E no entanto o destroem, todos vocês. Cada um contribui diariamente para a destruição do mundo.
– Sim, é verdade.
– Por que não param?
Encolhi os ombros.
– Francamente, não sabemos como.
(...)
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segunda-feira, 22 de junho de 2009
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