DE MASI, Domenico. Criatividade e grupos criativos. Rio de Janeiro: Sextante, 2003, p. 122-123.
Por onde quer que tenha passado, o homem pré-histórico deixou testemunhos da sua criatividade. Devido a uma confluência de causas econômicas, geográficas, climáticas, antropológicas e somáticas, essa faculdade única e multifacetada espalhou a sua fecundidade, sobretudo no Oriente Médio, mas pode-se afirmar que não exista lugar do planeta onde, desde a pré-história, primeiro os hominídeos e depois os seres humanos não tenham dado prova de fantasia e concretude.
Na África aprendemos a caminhar sobre os dois pés, a usar as mãos para construir utensílios, a valorizar o aparelho fonador para traduzir ideias em sons e sons em palavras. No Oriente Próximo, na França e na China aprendemos a transformar as pedras em facas e a caçar os animais usando armadilhas. Ainda na China nos tornamos hábeis no cultivo do bicho-da-seda e na manufatura de tecidos vaporosos. Na região onde hoje fica Nice aprendemos a acender o fogo. Em Nazaré, a enterrar os mortos. Na Rússia começamos a admirar o mundo dos espíritos. Na França, no Brasil e no México pintamos figuras de viva beleza nas cavernas. Na Áustria aprendemos a moldar estatuetas de uma opulência inquietadora. No altiplano iraniano, na Mesopotâmia, na Palestina, na Anatólia e no Turquestão nos tornamos capazes de cultivar o trigo, de fazer girar a roda, de escrever, de usar os números, de interpretar o curso dos astros, assim como de comercializar com países longínquos.
Na Líbia cunhamos as primeiras moedas. No Peru e no México aprendemos a cultivar o milho e, mais tarde, na China aprendemos a produzir arroz. Para colher, guardar e esmagar esses cereais inventamos cestas, pilões e moendas. Há vinte mil anos os nossos ancestrais siberianos já haviam povoado toda a América do Norte, e os antípodas, outros nômades, haviam chegado à Austrália e à Nova Guiné. A invenção do timão, da vela, da escrita e da moeda contribuiu para o incremento do comércio, o intercâmbio das mercadorias, das experiências e das culturas. Talvez na Jordânia tenhamos aperfeiçoado a cerâmica e domesticado o cachorro para defesa e para tração; em várias regiões da Europa e do Oriente Próximo domesticamos a cabra para nos dar o leite, a ovelha como fornecedora da lã, o porco como fonte de carne, o cavalo para o nosso transporte, assim como as galinhas para a refeição. Certamente na Mesopotâmia tivemos a idéia genial de pôr o arreio nos bois, transformando-os em tratores.
Na Sérvia inventamos o vilarejo pacífco, sem fortificações; já na Grécia criamos aquele mais belicoso e murado; ao longo do Danúbio inventamos os primeiros municípios. Nos Bálcãs aprendemos a forjar o bronze e na Anatólia inventamos fornos para a fusão do cobre. Na Inglaterra conseguimos alçar ciclópicos megalíticos; na Palestina e no Egito aprendemos a construir templos e pirâmides de proporções incomensuráveis; na Espanha aprendemos a forjar o bronze em grande escala e na Turquia descobrimos e protegemos os segredos do ferro.
Na Mesopotâmia redigimos as primeiras leis; no Egito recolhemos a palavra poética e teológica de Deus; na Grécia, a palavra dramática e filosófica dos homens. E se na Pérsia inventamos a ditadura, na Grécia criamos a democracia.
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
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