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terça-feira, 16 de junho de 2009

CAPÍTULO 3 - ESPIRAIS IMORTAIS
DAWKINS, Richard. O gene egoísta. 1976.

Somos máquinas de sobrevivência, mas "somos" não significa apenas pessoas. Inclui todos os animais, plantas, bactérias e vírus. O número total de máquinas de sobrevivência na Terra é muito difícil de contar e mesmo o número total de espécies é desconhecido. Tomando-se apenas os insetos, o número de espécies tem sido estimado em cerca de três milhões e o número de indivíduos talvez seja de um trilhão.

Nos últimos anos – nos últimos seiscentos milhões ou perto disso – os replicadores conseguiram triunfos notáveis na tecnologia das máquinas de sobrevivência, tais como o músculo, o coração e o olho (os quais evoluíram independentemente várias vezes). Antes disso, eles alteraram radicalmente características fundamentais de seu modo de vida como replicadores, o que deve ser compreendido se quisermos continuar com o argumento.

Outro aspecto do caráter de partícula do gene é que ele não fica senil. Ele não tem maior probabilidade de morrer quando tem um milhão de anos de idade do que quando tem apenas cem. Ele pula de corpo para corpo ao longo das gerações, manipulando um após o outro de sua própria maneira, e para seus próprios fins, abandonando uma sucessão de corpos mortais antes que estes mergulhem na senilidade e morte.

Os genes são os imortais, ou melhor, são definidos como entidades genéticas que chegam perto de merecer o título. Nós, as máquinas de sobrevivência individuais no mundo, podemos esperar viver mais algumas décadas. Os genes no mundo, porém, têm uma expectativa de vida que deve ser medida não em décadas mas em milhares e milhões de anos.

Os indivíduos não são estáveis, são passageiros. Os cromossomos também caem no esquecimento pelo baralhamento, como as cartas de um jogador logo depois de serem carteadas. Mas, as cartas em si sobrevivem ao baralhamento. Elas são os genes. Estes não são destruídos pela recombinação, simplesmente trocam de parceiros e continuam em frente. Evidentemente continuam, esta é sua profissão. Eles são os replicadores e nós suas máquinas de sobrevivência. Quando cumprimos nossa missão somos postos de lado. Mas os genes são habitantes do tempo geológico: são para sempre.

É a sua potencial imortalidade que torna o gene um bom candidato a unidade básica da seleção natural. Mas, chegou a hora de enfatizar a palavra "potencial". Um gene pode viver um milhão de anos, mas muitos genes novos não passam nem mesmo de sua primeira geração.

Já nos perguntamos quais os atributos mais gerais de um gene "bom" e resolvemos que o "egoísmo" era um deles. Mas outra qualidade geral que os genes bem sucedidos terão é a tendência a adiar a morte de suas máquinas de sobrevivência pelo menos até depois da reprodução.

. . . se quiséssemos prolongar a duração da vida humana haveria duas maneiras gerais pelas quais poderíamos fazê-la. Em primeiro lugar, poderíamos proibir a reprodução antes de uma certa idade, por exemplo, quarenta anos. Depois de alguns séculos o limite mínimo de idade seria elevado para cinqüenta e assim por diante. É presumível que a longevidade humana pudesse ser estendida desta forma até vários séculos. Não posso imaginar que alguém seriamente gostaria de instituir tal política.

Este capítulo trata de comportamento – o truque do movimento rápido que tem sido, em grande parte, explorado pelo ramo animal das máquinas de sobrevivência. Os animais tornaram-se veículos ativos e vigorosos dos genes: máquinas gênicas. A característica do comportamento, como os biólogos utilizam o termo, é ele ser rápido. As plantas movem-se mas muito vagarosamente. Quando vistas em um filme muito acelerado as trepadeiras parecem animais ativos. A maior parte do movimento das plantas, entretanto, é, na realidade, crescimento irreversível. Os animais, por outro lado, desenvolveram famas de se movimentar centenas de milhares de vezes mais rapidamente. Além disto, os movimentos que realizam são reversíveis e podem ser repetidos um número indefinido de vezes.

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