CAPÍTULO 10 - VOCÊ COÇA AS MINHAS COSTAS, EU MONTAREI SOBRE AS SUAS
DAWKINS, Richard. O gene egoísta. 1976.
Várias espécies de formigas do Novo Mundo, por exemplo, e, independentemente, térmitas da África, cultivam "jardins de fungos". As mais bem conhecidas são as saúvas da América do Sul. Elas são extremamente bem sucedidas. Colônias isoladas com mais de dois milhões de indivíduos foram encontradas. Seus ninhos consistem de enormes e amplos complexos subterrâneos de passagens e galerias, descendo até uma profundidade de três metros ou mais, construídos pela escavação de até 40 toneladas de terra. As câmaras subterrâneas contêm os jardins de fungos. As formigas deliberadamente semeiam o fungo de uma determinada espécie em canteiros adubados que elas preparam fragmentando as folhas com as mandíbulas. Em vez de buscar alimento diretamente, as operárias buscam folhas para fazer o adubo. O "apetite" de uma colônia de saúvas por folhas é gigantesco. Isto as torna uma importante praga econômica, mas as folhas não são alimento para si mas para seus fungos. As formigas eventualmente colhem e comem o fungo, além de dá-lo às larvas. Os fungos são mais eficientes em degradar o material das folhas do que seriam os estômagos das formigas; assim estas se beneficiam com a associação. É possível que o fungo também se beneficie, embora seja colhido: as formigas propagam-no mais eficientemente do que seu próprio mecanismo de dispersão de esporos poderia fazê-lo. Além disto, as formigas limpam os jardins de fungos, livrando-os de espécies invasoras de outros fungos. Eliminando a competição, isto poderá beneficiar os próprios fungos domésticos das formigas. Poder-se-ia dizer que existe um tipo de relacionamento de altruísmo mútuo entre as formigas e os fungos. É notável que um sistema muito semelhante de cultivo de fungos evoluiu independentemente entre os térmitas pouco relacionados com as formigas.
As formigas possuem seus próprios animais domésticos, assim como suas plantas cultivadas. Os afídeos - pulgões - são altamente especializados em sugar os líquidos das plantas. Eles sugam a seiva de seus vasos mais eficientemente do que podem depois digeri-Ia. Em conseqüência, excretam um líquido que teve apenas parte de seu valor nutritivo retirado. Gotículas deste líquido rico em açúcar são eliminadas pela extremidade posterior a grande velocidade, em alguns casos mais do que o peso do corpo do próprio inseto por hora. O líquido normalmente cai em gotas ao chão - poderia ter sido o alimento providencial conhecido como "maná" no Velho Testamento. Formigas de várias espécies, porém, interceptam-no assim que ele sai do pulgão. As formigas "ordenham" os afídeos afagando a parte posterior de seu corpo com suas antenas e patas. Os afídeos respondem, em alguns casos aparentemente retendo suas gotículas até que uma formiga os acaricie, e até mesmo recolhendo uma gotícula se a formiga não está pronta para recebê-la. Sugeriu-se que alguns afídeos desenvolveram a parte posterior do corpo de modo a se assemelhar à fisionomia de uma formiga, mais eficiente para atraí-Ias. O que os afídeos ganham com a associação aparentemente é proteção contra seus inimigos naturais. Como nosso próprio gado leiteiro, eles levam uma vida protegida, e as espécies de afídeos muito cultivadas pelas formigas perderam seus mecanismos normais de defesa. Em alguns casos as formigas cuidam dos ovos dos afídeos dentro de seus próprios ninhos subterrâneos, alimentam os filhotes e, finalmente, quando eles crescem, carregam-nos cuidadosamente para o local protegido de pastagem.
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terça-feira, 16 de junho de 2009
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