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quinta-feira, 18 de junho de 2009



O MEDO DA DESIGUALDADE, trechos desse capítulo de:
PINKER, Steven. Tábula rasa: a negação contemporânea da natureza humana. 2004.

O maior atrativo moral da doutrina da tábula rasa nasce de um fato matemático simples: zero é igual a zero. Isso permite que a tábula rasa sirva como garantia de igualdade política. Uma página em branco é uma página em branco, portanto se somos todos tábulas rasas, diz o argumento, temos de ser todos iguais. Mas se a tábula de um recém-nascido não for rasa, diferentes bebês poderiam ter diferentes coisas escritas em suas tábulas. Indivíduos, sexos, classes a raças poderiam diferir inatamente em seus talentos, habilidades, interesses e inclinações. E isso, julga-se, poderia conduzir a três males. O primeiro é o preconceito (...). O segundo é o darwinismo social: se diferenças entre os grupos nas condições de vida . . . provêm de suas condições inatas, essas diferenças não podem ser atribuídas à discriminação, e isso facilita culpar as vítimas e tolerar a desigualdade. O terceiro é a eugenia [ex.: nazismo e a raça ariana] (...). Assim, o medo das terríveis consequências que poderiam advir de uma descoberta de diferenças inatas levou muito intelectuais a asseverar que essas diferenças não existem – ou mesmo que não existe a natureza humana, pois, se existisse, diferenças inatas seriam possíveis.

Os copiosos indícios de que compartilhamos uma natureza humana não significam que as diferenças entre indivíduos, raças ou sexos também estão em nossa natureza. A biologia moderna nos diz que as forças que tornam as pessoas parecidas não são as mesmas que tornam as pessoas diferentes. Em se tratando de uma explicação para o que nos faz funcionar, somos todos farinhas do mesmo saco. Descartar a tábula rasa lançou muito mais luz sobre a unidade psicológica da humanidade do que sobre quaisquer diferenças.

Em todas as espécies existe variabilidade genética, mas o Homo sapiens está entre os menos variáveis. Os geneticistas nos consideram uma espécie "pequena", o que soa como uma piada ruim, já que infestamos o planeta como baratas. O que eles têm em mente é que o grau de variação genética encontrado entre os humanos é o que os biólogos esperariam em uma espécie com um número pequeno de membros. Há mais diferenças entre os chimpanzés, por exemplo, do que entre os humanos, apesar de os superarmos espantosamente em número. A razão é que nossos ancestrais passaram por um gargalo populacional em um período razoavelmente recente de nossa história evolutiva (há menos de 100 mil anos) e reduziram-se a um número pequeno de indivíduos com uma variação genética correspondentemente pequena. As espécies sobreviveram, retomaram o crescimento e então tiveram uma explosão populacional com a invenção da agricultura, há cerca de 10 mil anos. Essa explosão originou muitas cópias dos genes que estavam em circulação quando éramos poucos numericamente; não houve tempo suficiente para acumular muitas versões novas dos genes.

Em vários pontos depois do gargalo emergiram diferenças entre raças. Mas as diferenças na pele e nos cabelos que são tão óbvias quando olhamos pessoas de outras raças são, na realidade, uma peça pregada às nossas intuições. As diferenças raciais são, em grande medida, adaptações ao clima.

A maioria das pessoas acredita que a punição para determinado crime deveria ser a mesma independentemente de quem o comete. Mas conhecendo as emoções sexuais típicas de ambos os sexos, deveríamos aplicar a mesma punição a um homem que seduz uma garota de dezesseis anos e a uma mulher que seduz um garoto de dezesseis anos?

Steven Arthur Pinker (Montreal, 18 de setembro 1954) é um psicólogo e linguista canadense da Universidade de Harvard e escritor de livros de divulgação científica. Durante 21 anos foi professor no Departamento do Cérebro e Ciências Cognitivas do Massachusetts Institute of Technology antes de regressar a Harvard em 2003. Pinker completou o bacharelado em Psicologia da Universidade McGill no ano 1976 e doutorado em Psicologia Experimental da Universidade de Harvard em 1979. Pinker escreve sobre a linguagem e as ciências cognitivas em vários níveis, desde artigos especializados até publicações de divulgação científica. Ele é mais bem conhecido pela sua pesquisa da aquisição da fala e pelo seu trabalho sobre as noções de desenvolvimento inato da linguagem avançadas por Noam Chomsky. No entanto, ao contrário de Chomsky, Pinker considera a linguagem como uma adaptação evolutiva.

O livro de Pinker
Tábula rasa (The blank slate) esteve entre os finalistas para o Prêmio Pulitzer e The Aventis Prizes for Science Books. Em 2004, Pinker foi nomeado uma das 100 pessoas mais influentes da Revista Time. Este ano, foi o primeiro conferencista do evento Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre.

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