Quando será que o Felipe Dreher vai reunir os textos dele num livro a ser publicado?
vejo um arco-iris p&b num céu de noite grisalha. estou empurrando dois elephantes escada acima. vi a lua espatifar-se no chão e quando ela caiu, cacos de vidro se espalharam por todos os lados e agora meus pés estão sangrando e não consigo e nem quero cuidar das feridas porque até o momento dancei sobre as pontas cristalizadas que semearam a terra.
todas as estrelas cairam e se dividiram na atmosfera.
arremessaram vinho sobre minha cabeça. um anjo desviou o copo - plástico - e alimentou-se do líquido que dele saiu e molhou minhas costas. ele lambeu o vinho espalhado pelo meu corpo. capturou minha alma numa fotografia.
o céu é engraçado. roubaram suas estrelas. um demônio de pés leves que te esmaga com carícias. sintonizado, meditando, hipnótico. olhos gelados de retina colada se desfazendo sem nenhum sorriso. nada ficou. não tenho nem vontade de acender a luz. não existe mais luz. nascimento/morte. sem vida. útero assassino. palavras cortantes.
segundo o tabelião, hoje é meu aniversário.
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