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segunda-feira, 22 de março de 2004

"(...) E conta que no seu planeta as pessoas podiam trocar de corpo com as mesma facilidade com que os habitantes da Terra mudam de roupa. Quando fora de um corpo, os vicunenses não tinham peso, eram transparentes e silenciosas consciências dotadas de sensibilidade. Em Vicuna não havia instrumentos musicais, pois as próprias pessoas eram música, ao flutuarem incorpóreas de um lado para outro. Clarinetes, harpas e pianos seria redundantes, pois não representariam senão mecanismos para imitação grosseira das harmonias produzidas pelas almas aladas.

"Mas, conta ele, o tempo terminou em Vicuna. A tragédia do planeta consistiu em que seus cientistas descobriram maneiras de extrair o tempo da crosta planetária, da atmosfera e dos oceanos, usando-o para aquecer casas, servir de combustível para lanchas e fertilizar a lavoura. E também o usavam como alimento, para fazer roupa e um bocado de outras coisas. A cada refeição comiam tempo, davam-no como ração a animais domésticos . . . " (VONNEGUT, Kurt. Um pássaro na gaiola. 1979.)

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