Eu sempre ouvi falar que um dos principais motivos de se viciar em drogas era a fuga da realidade. Fumei por cinco anos e em nenhum momento eu senti que estava fumando para fugir da realidade; não havia problemas, pelo menos aparentes. Hoje, segunda-feira, eu me dei conta de que a tal fuga não precisa ser o motivo, mas que ela acontece de qualquer modo. Continua-se fumando porque se foge da realidade, alcançando estados com os quais comparações são covardia. Depois que eu parei, até mesmo porque o organismo e, principalmente, a mente vão acostumando-se e criando tolerâncias, em 30 de agosto do ano passado, eu estou em contato permanente-ininterrupto com a realidade, e não é fácil para quem ficava horas sentindo um prazer "anormal". Por isso meu Projeto MAIS Ambicioso é alcançar a paz e a harmonia (esqueça os contextos bregas em que estas palavras geralmente são empregadas), e então eu parei de fumar, e então eu comecei a fazer terapia. Porque havia problemas. Não superficiais, mas enterrados lá no fundo dos meus anos - e o inconsciente não queria que eles fossem descobertos ou remexidos - e que geravam - e geram - conseqüências desagradáveis, sendo que o mais básico é a insegurança e o seu auge é a depressão. Mas a minha consciência quer descobri-los e eu quero remexê-los. Fumar era uma bengala, mesmo que eu achasse não precisar de uma. Agora eu tenho que aprender a andar sem bengalas, quando minha mente entender que eu devo não ter nenhum problema em perna alguma.
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