Monty Python e o spam.
"(...) No quadro, uma garçonete (Terry Jones travestido) tenta empurrar a um casal de fregueses pratos que a cada novo item do cardápio ficam mais cheios de spam. No fim a coisa está na base do 'spam spam spam spam spam com feijão e spam spam spam spam spam spam'. 'Mas eu não gosto de spam!', desespera-se a freguesa (Graham Chapman, também travestido). Nonsense? Não vimos nada ainda: ao fundo, um grupo de vikings entoa cantorias bárbaras a cada vez que a palavra spam é mencionada: 'Spam! Spam! Maravilhoso spam!'. A lógica de pesadelo mantém-se rigorosa até o fim, quando o coro dos vikings, num crescendo, afoga qualquer possibilidade de entendimento.
Quem quiser pode ver no quadro uma pequena parábola sobre propaganda e marketing.
Pois bem, o humor inteligente, ao mesmo tempo pop e recheado de referências cultas do Python sempre foi um sucesso com os malucos da comunidade informática. Isso explica que, nos anos 80, a palavra spam tenha começado a circular entre eles como sinônimo de lixo virtual, informação sem valor, intrusiva, tão indesejada quanto os pratos que a garçonete tenta empurrar aos fregueses no tal esquete. Há registros suficientes do uso de spam com esse sentido em ambientes de chat nos anos 80 – o que, se ainda não era a acepção comercial e catastrófica de hoje, era um meio termo sem o qual ela não faria sentido.
Se é que faz algum, claro. Spam spam spam." (Sérgio Rodrigues, No Mínimo)
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