A VIDA ADULTA: UMA VISÃO DINÂMICA
Segundo o psicólogo americano Abraham Maslow, a maturação do indivíduo apresenta as seguintes características:
* Maior eficiência na percepção da realidade e relações mais confortáveis com o mundo. O indivíduo vê a realidade não com os seus olhos e seus preconceitos, mas procura percepcionar a realidade de uma forma aberta. Por isso, está disponível para a novidade, e não se fecha numa capa de segurança e defesa perante o desconhecido.
* Aceitação (eu, outros, natureza). A aceitação de si próprio significa aceitar a sua natureza mesmo com todas as discrepâncias em relação à imagem ideal que deseja e tem de si próprio: "os nossos sujeitos vêem a natureza humana como é e não como eles preferiam que fosse." (p. 156).
* Espontaneidade, simplicidade, naturalidade. A pessoa madura orienta-se por princípios, "sendo o comportamento baseado em princípios fundamentadamente aceites (os quais são percebidos como verdadeiros)." (p. 158).
* Focalização em problemas. A pessoa madura geralmente não está preocupada com os seus problemas; ou seja, não está centrada em si. "Estes indivíduos têm geralmente uma missão na vida, alguma tarefa para cumprir, algum problema fora deles que ocupa muito das suas energias." (p. 159).
* A necessidade de privacidade. Na sequência do aspecto anterior, a relação com os outros não é de forma alguma possessiva e egoísta. A autonomia do indivíduo é caracterizada por "auto-decisão, auto-governo, por ser um ser ativo, responsável e decidido em vez de ser um mero peão" (p. 161). Tratam-se pois de pessoas com capacidade crítica, capazes de se distanciarem das opiniões comuns, modas e propaganda.
* Independência da cultura e do ambiente. O indivíduo em processo de auto-atualização "não tem a sua motivação dependente das satisfações principais do mundo real (...), em satisfações extrínsecas." (p. 162). Assim, é capaz de enfrentar com serenidade os problemas e as circunstâncias adversas.
* Novidade contínua nas apreciações. A pessoa em auto-atualização encara todas as coisas com um espírito de abertura e de novidade, evitando, assim, a rotina, não se cansando das pessoas, coisas e acontecimentos que o rodeiam.
* Experiência mística. Bastantes indivíduos apresentam alguma preocupação e interesse acerca da última natureza da realidade. Trata-se, pois, do fator religioso na maturidade humana.
* Sentimento social. As pessoas em processo de auto-atualização sentem uma ligação profunda em relação à existência humana, apresentando "um profundo sentimento de identificação, simpatia e afeição" (p. 165).
* Relações interpessoais. Os indivíduos maduros são capazes de relações interpessoais mais profundas com poucas fricções, apesar do círculo das pessoas mais chegadas poder ser pequeno.
* Caráter de estrutura democrática. O indivíduo maduro sente um respeito por todo e qualquer ser humano, não sentindo qualquer reserva em aprender seja com quem for.
* Distinção entre meios e fins, entre bem e mal. A pessoa madura rege-se por princípios éticos, indo as suas noções de certo e errado, de bem e mal, para além dos padrões convencionais. Por isso, a sua vida não é inconstante nem confusa.
* Senso de humor não hostil. A pessoa madura possui um senso de humor diferente do comum, não se pactuando com humor que fere a pessoa ou que goza com a sua inferioridade. O seu sentido de humor é espontâneo em vez de planejado, e está intrinsecamente ligado à situação, em vez de ser adicionado à mesma.
* Criatividade. A pessoa em processo de auto-atualização vive muito menos constrangida e inibida, dando largas à sua espontaneidade, tornando-se criativa, fazendo as coisas de maneira diferente.
"Com frequência, na vida real, e com não menos frequência, nos mitos e contos populares, encontramos o triste caso do chamado que não obtém resposta; pois sempre é possível desviar a atenção para outros interesses. A recusa à convocação converte a aventura em sua contraparte negativa. Aprisionado pelo tédio, pelo trabalho duro ou pela 'cultura', o sujeito perde o poder da ação afirmativa dotada de significado e se transforma numa vítima a ser salva. Seu mundo florescente torna-se um deserto cheio de pedras e sua vida dá uma impressão de falta de sentido. Tudo o que ele pode fazer é criar novos problemas para si próprio e aguardar a gradual aproximação de sua desintegração. (...) Os mitos e contos de fadas de todo o mundo deixam claro que a recusa é essencialmente uma recusa a renunciar àquilo que a pessoa considera interesse próprio. O futuro não é encarado em termos de uma série incessante de mortes e nascimentos, e sim em termos da obtenção e proteção do atual sistema de ideais, virtudes, objetivos e vantagens. (...) A personalidade consciente entra em contato com uma carga de energia inconsciente que ela não é capaz de controlar, precisando então passar por toda uma série de provações e revelações de uma jornada de terror no mar noturno, enquanto aprende a lidar com esse poder sombrio, para finalmente emergir, rumo a uma nova vida. (...) Histórias de fadas são para crianças. Elas frequentemente falam de uma menininha que não quer crescer e se tornar uma mulher. Ela hesita diante da crise desse limiar de passagem. " (Joseph Campbell)

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