Em agosto de 2000, um cientista japonês chamado Toshiyuki Nakagaki anunciou que havia treinado um organismo semelhante a uma ameba, denominado Dictyostelium discoideum, a encontrar o caminho mais fácil dentro de um labirinto.
Apesar de ser um organismo bastante primitivo (parente próximo dos fungos), sem qualquer tipo de centralização cerebral, o discoideum conseguiu descobrir o caminho mais eficiente para atingir o alimento.
Aos olhos dos cientistas empenhados em entender sistemas que usam componentes relativamente simples para construir inteligência de nível mais alto, o discoideum poderá se tornar algum dia o equivalente dos tentilhões e das tartarugas que Darwin observou no arquipélago de Galápagos.
Embora as células desse organismo sejam relativamente simples, elas atraíram uma dose desproporcional de atenção de uma série de disciplinas diferentes - embriologia, matemática, informática - porque mostram um exemplo realmente intrigante de comportamento de grupo coordenado.
Nós estamos naturalmente predispostos a pensar em termos de líderes, quer falemos de fungos, sistemas políticos ou nossos próprios corpos. Nossas ações parecem ser governadas, na maior parte dos casos, por células-líderes em nossos cérebros e, durante milênios, fomentamos elaboradas células-líderes em nossas organizações sociais, seja na forma de reis ou ditadores, ou até de vereadores. A maior parte do mundo à nossa volta pode ser explicado em termos de hierarquias e sistemas de comando - por que seria diferente com o Dictyostelium discoideum?
Qualquer pessoa que já tenha contemplado o grande mistério da fisiologia humana - como todas as minhas células conseguem funcionar tão bem juntas? - encontrará algo parecido na agregação do Dictyostelium discoideum. Se conseguirmos imaginar como ele consegue, então talvez possamos ter algum insight acerca de nosso próprio e desconcertante conjunto.
São sistemas bottom-up, e não top-down. Pegam seus conhecimentos a partir de baixo. O movimento das regras de nível baixo para a sofisticação do nível mais alto é o que chamamos de emergência.
País do surrealismo, a Bélgica já comemora um ano e meio sem governo oficial. Apesar de numerosas tentativas para a formação de alianças após as legislativas do ano passado, não houve acordo entre os nacionalistas flamengos ao norte e os socialistas francófonos ao sul. No entanto o país funciona. "Poderíamos talvez dizer que a Bélgica não precisa de governo", diz à Carta Capital Daniel Cohn-Bendit.


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