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segunda-feira, 11 de março de 2002
Neste exato momento, tem um cara cavando um túnel no corredor do meu prédio para entrar no meu apartamento. O barulho de obras já tinha me chamado a atenção, mas botei um Cocteau Twins a fim de neutralizar os ruídos enquanto escrevia um texto sobre pós-rock para o Apanhador. Olhei no olho mágico e vi que o cara está destruindo o tabuleiro de xadrez. É que o piso do corredor era preto e branco, quadriculado. Dava para jogar xadrez com peças vivas. Pelo jeito só dava, porque ele está destruindo. Ou cavando um túnel para entrar no meu apartamento. O histórico de psicóticos que me perseguem ou me telefonam é grande, eu não iria me surpreender. Em Brasília um cara me ligou de madrugada dizendo "Quer dizer que você quer montar uma banda? Eu toco baixo e tenho um guitarrista. A gente faz um boquete gostoso nos ensaios. Enfia o pau no cu. Mas se você não quiser, pode ficar só olhando, não tem problema. Ouvi dizer que tem uns caras querendo pegar você ali no Centro", coisas assim. (Detalhe: Brasília não tem Centro.) Olhei de novo pelo buraco da porta, e a escada já está toda sem piso. Está esfolada. Está em reboco vivo. Aquele Cocteau Twins já acabou, então pressionei o open e troquei por outro Cocteau Twins. Estou com três, emprestados. Mais um Pavement e um Galaxie 500. Agora vou voltar ao texto sobre pós rock. Já re-volto. Re-voltei. Meu estômago está se desintegrando, preciso ter anti-ácido em casa. Talvez abra um dois-litros de Pepsi, meus pais diziam que era bom para esse tipo de desintegração. O nome popular dessa doença eu nem vou escrever porque é nojento. Também preciso parar de roer unhas. As bases transparentes já não evitam mais que eu roa. E esmalte colorido eu não posso usar porque estou andando muito no meio do povão, no metrô e no centro de Porto Alegre. E eu não ia ter saco de explicar para os colegas adversários dos concursos públicos por que eu pinto as unhas. Na realidade, não precisa ter porquê. O fato de os gaúchos se destacarem em tudo que é coisa nacionalmente deve ser ligado ao supertreinamento por que eles - nós - passam - passamos. Primeiro, fogo insuportável no verão. Depois, gelo insuportável no inverno. (Citei o verão primeiro porque nasci na primavera.) Sofre aqui, sofre lá. O organismo vira um super-organismo. E o homem vira um super-homem. E a indústria dos ventiladores e a indústria dos condicionadores de ar e a indústria dos aquecedores e a indústria dos chuveiros e todas essas indústrias, as indústrias do fogo e do gelo. Agora vai o Pavement. Stereo. É mais ou menos, pois tem a ver com Radiohead (mais) e Weezer (menos). Ele ainda não chegou no meu carpete. Quero ver ele cavar o carpete. O corredor já está todo esfolado. Stereow, stereo-ow. Vocais vascilantes rules. Yeah. Ah, mas no fim de semana eu posso ficar com as unhas pintadas. Vou pintá-las. Porém é como tomar remédio para a gripe ou a aids: ajuda, mas não cura. Ainda não abri a Pepsi. Nem terminei o texto. Nem aquele, nem este. Talvez agora. Não, ainda não. Desci para comprar sais de frutas Eno e vi que o escavador do corredor é o David Bowie! Ele pintou o cabelo de preto e segue com a barba por fazer e o óculos de grau. O Bowie pode escavar meu carpete. Ele é o primeiro da lista de pessoas que eu gostaria de ver pessoalmente, ouvir a voz e apertar a mão. Eu daria um beijo no rosto de barba por fazer dele. E agora ele está trabalhando no corredor do meu prédio! Enos era o nome do pastor de Parobé. Roque era o nome do padre, que depois foi expulso porque tinha mulher(es). O nome do dono do Sofazão é Padre Roque. O Sofazão é uma casa noturna em que as pessoas fazem sexo em qualquer lugar toda hora e todos vêem todos. O corredor está fedendo a cimento. O sal de frutas tem um gosto bizarro e eu gosto de gostos bizarros. Era efervescente e tomei geladinho. Agora sim.
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