Como disse meu amigo Fabrício esses dias, as pessoas têm a necessidade de classificar, de fazer classificações. Assim elas têm certeza e sentem-se seguras pela pretensa verdade. Se não fizerem isso, sentir-se-ão suspensas no espaço como o astronauta que foi expelido da nave pelo HAL em 2001. Tem um amigo que gosta de olhar para a pessoa e dizer de que tipo de música essa pessoa gosta e como é o "tipo" dela a julgar só pela roupa que ela está vestindo. Ele já disse que eu era um nerd que gosta de Weezer, um cara que gosta de bandas californianas como Blink 182 e mais um "tipo" que agora eu não me lembro.
Mas ele é meu amigo. O pior é quem você quase não conhece dizer "Por que você está de unha pintada?". Depois de uns dias de unha pintada, você aparece sem a unha pintada. Então ele precisa dizer "Por que você não está de unha pintada?". No recreio do cursinho eu desço para comprar sorvete. Um colega falou um dia "Você tem conta com o carinha do sorvete...". Outro dia eu não comi o sorvete e ele disse "Ué, não foi comer o sorvete hoje?".
Ou seja, TUDO é motivo para um comentário genialmente dedutivo, e não importa o que a pessoa pensa, porque ela não pensa NADA. O comentário é apenas para preencher aquele espaço de tempo e aquele espaço de silêncio. Assim como os colegas que respondem as perguntas didáticas do professor apenas como uma loteria.
- Blá blá blá?
- Isso!
- Não!
- Ah... aquilo, aquilo!
- Não...
- Então...
Um bando de pessoas pagando para ter um aprendizado e sem a mínima condição de tê-lo, sem querer e por querer. Todos ensinam todos a não aprender, mas também é conveniente não saber. Afinal, aprender - aprender mesmo, não aquilo que as pessoas pensam que fazem - é coisa de cdf ou gênio, e dissos as pessoas querem distância. Classificação: louco, estranho etc. (Até a professora falou hoje Professor de português só pode ser retardado mental, porque vocês gostam de ir ao cinema e eu gosto de pegar quaisquer textos e fazer análise sintática, isso só pode ser coisa de retardado. Fazer a análise sintática não é coisa de retardado. A "anormalidade" é normal, esse é o barato da vida, não se pode ter certeza de nada. Ter falado aquilo é que foi coisa de retardado.) Elas não estão lá preparadas mentalmente para aprender, mas estão com toda a munição de preconceitos e lógicas estúpidas usadas nos joguinhos da vida delas - como piadinhas em cima de qualquer coisa - para utilizar naquele passatempo.
Os alunos estão lá sentados achando que estão aprendendo. A professora fala um negócio genial, os alunos até consideram aquilo genial, mas o discurso é exatamente contra eles, dizendo que o passado condena o aluno, e não a matéria é que é difícil. Eles ouvem aquilo como se estivessem fora daquela acusação, ou como se estivessem dentro mas naquele momento estariam saindo fora. Eles realmente acreditam naquilo, mas não chegam a perceber que não fazem nada para mudar. A frase entra na cabeça e não processa nada. Sai pelo cu junto com as fezes.
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quarta-feira, 27 de março de 2002
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