Eu odeio trânsito. Eu não odeio carros, como o Thom Yorke odeia, mas eu odeio trânsito. Eu não sou o smurf Ranzinza. Nem o Papai-Smurf (barba). Mas o trânsito estraga o dia. (Se você tem que dirigir todos os dias no trânsito, ele estraga a vida.) Simplesmente porque é absurdo ficar 50 minutos dentro de um carro para ir de casa até a universidade que fica na mesma cidade pequena. Você fica naquele pára-e-arranca e topa com uns 47 motoristas que não têm o mínimo respeito e outros 47 que não sabem dirigir mesmo. Se está chovendo, pior ainda. NÂO TEM COMO desembaçar o vidro. Até a luz vermelha do freio dos carros da frente transforma o pára-brisa num lindo quadro impressionista avermelhado. Tentei dirigir que nem o Ace Ventura, com a cabeça para fora da janela, mas não tem como. O trânsito e a chuva deixam todos os músculos tensos, o corpo dói, fica difícil de adormecer e a raiva que isso tudo - causa e conseqüência - dá destrói o ânimo de a pessoa estar acordada.
Eu não odeio carros, como o Thom Yorke odeia, mas eu odeio a capacidade destruidora deles. Eles destroem numa pechada (batida, acidente, na língua gaúcha). Destroem se você fica empenhado numa rua escura duma cidade violenta num dia de chuva e alagamento - como eu fiquei naquele dia em que Porto Alegre recebeu a Arca de Noé. Destroem se você fica empenhado desse jeito e o carro não tem seguro e tem dois teclados raros e caros no porta-malas. Destroem se você tem medo de ser roubado, assaltado ou esfaqueado - como eu tenho depois de receber uma parabela no ilíaco e um canivete zunindo perto da minha barriga. Você fica empenhado porque é muito fácil estragar alguma coisa no carro, da mesma forma que é muito fácil estragar alguma coisa no seu computador. Naquele dia, eu nem sei o que foi. Talvez as velas tenham molhado. Talvez tenha terminado a bateria. Só sei que o cara bondoso que ajudou a empurrar o meu carro - depois de quatro horas da tortura psicológica mais forte que eu já senti na minha vida - esqueceu dentro dele sua maleta de ferramentas. Uma das "ferramentas" era uma adaga-facão-espada feita em casa, com punho de fita isolante. Talvez fosse para usar como chave-de-fenda, não é?... Sorte que eu me arranquei para não arriscar que o carro morresse de novo. Destroem porque deixam você muito nervoso. It makes me mad.
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quinta-feira, 7 de março de 2002
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