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quarta-feira, 27 de março de 2002
Na infância, eu recebi muito amor e um pouco de ódio. Porque o que eu sentia do meu pai e da minha mãe quando eles decidiam me bater não era nada que eu já havia sentido por eles. Eles faziam, naqueles momentos, uma espécie de descarga de algo que não era só eu que produzia neles, não podia ser - não tinha por quê. Aqueles momentos não foram tantos, não, mas foram intensos o suficiente para me fazer lembrar deles até hoje. Minha mãe é do tipo explosiva, que facilmente sai do sério e ninguém segura e ela quase não pensa nas conseqüências do que faz provocada por aquela agressividade. Meu pai, por sua vez, fica segurando o nervosismo, mastigando de boca vazia, até que quando explode o faz com uma firmeza a garantir o respeito dos outros por ele. Seriam marcas deixadas pelo servimento ao exército? O amor além do normal, principalmente por parte da minha mãe, vem de eu ser o único filho, único sobrevivente em quatro gestações. Então esse amor e aquele ódio talvez sejam resposnáveis por eu ser um cara tão confuso, tão uma coisa e outra, tão sensível e tão insensível. Pensei em escrever sobre isso depois de ler o texto do Bukowski sobre o Homem Gélido que ele se tornou pelas surras que levava do pai, por motivos criados especialmente para a surra acontecer com freqüência. Eu me tornei um Homem Fôguido Um Pouco Gélido. E haja equilíbrio para agüentar essas oscilações da alma.
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