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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Neurobiologia emocional
(Adalberto Tripicchio)


Toda a nossa vida foi permeada por este tripé gera­do nas estruturas límbicas: desejo, ação e satisfação.

Nossos comportamentos, ou a maioria deles, alicerçam-se nas flutuações de nossa química encefálica. Segundo algumas tradi­ções religiosas orientais, o que somos em um determinado momento é fruto da for­ma como interagimos com a situação. Desta maneira, a raiva não somos nós, as­sim como não somos nós que estamos presentes nos momentos de alegria. Os maiores res­ponsáveis por tais comportamentos são as referidas substâncias químicas, que em úl­tima análise o Yoga, a meditação e as religiões tentam entender, dominar, e por que não dizer, de certa forma, extinguir. Talvez, a religiosidade não consiga supri­mir a química encefálica, mas o desenvolvimento de habilidades ditas espirituais possam, talvez, controlar este fluxo incessante dos rios químicos que correm pela mente. No Yoga, um de seus pressupostos é o desenvolvimento da concentração, pois, uma vez focado em um só objetivo pelo maior tempo possí­vel, o yogue diminuiria seus estímulos sensoriais, reduzindo assim seu bombar­deamento químico encefálico. Desta forma, segundo alguns antigos textos, o yo­gue entraria em contato com o seu verdadeiro eu. Isso talvez faça o praticante de Yoga ter um maior grau de controle das situações ao seu redor, não se deixando subjugar inteiramente pela neuroquímica das emoções.  Cientistas voltados ao estudo da mente humana sobre os efeitos da prece e da meditação têm identificado inte­ressantes padrões neuroquímicos. Talvez, as experiências místico-religiosas não extingam totalmente as ações destas complexas moléculas, mas, ao que tudo indi­ca, podem nos tirar da condição de meros escravos da química encefálica.

Quando falamos de emoções, falamos de medo, aversão, pânico, culpa, amor, ódio, raiva, entre outras tantas. Mas deve-nos ser claro que tais emoções não são somente percebidas em nossa estrutura encefálico-mental. Todas elas são somatizadas, ou seja, percebidas em nosso corpo.

O circuito da emoção é extrema­mente complexo, mas pode ser resumido da seguinte forma:

1. Os estímulos emocionais são produzidos pela amígdala.

2. A emoção é conscientemente registrada no córtex frontal.

3. Paralelamente ao envio das informações emocionais ao córtex frontal, a amígdala envia mensagens de cunho emocional ao hi­potálamo, e esse, por sua vez, envia mensagens hormonais ao corpo, com o intuito de criar as mudanças físicas que amplificam nossa percepção das emoções.

4. Sendo assim, a raiva é acompanhada por fortes contrações mus­culares, elevação da pressão arterial e da frequência cardíaca, en­tre outras somatizações. Já no amor, tais mudanças dão lugar às sensações de relaxamento muscular, leveza e plenitude.
Sem a retro-alimentação proporcionada pelos nossos corpos, as emoções não podem ser distinguidas dos meros pensamentos. Pessoas que tiveram lesões medu­lares são impedidas não só de realizar movimentos nos segmentos abaixo da lesão, como também não recebem informações sensoriais advindas desses mesmos seg­mentos. Isso explica o amortecimento das emoções comumente citado pelos paraplégicos. Fica claro que, se as emoções interferem nas sen­sações corporais, muito provavelmente as sensações corporais podem também in­fluenciar nas emoções. Este é um dos pressupostos do Hatha-yoga, ou seja, o Yoga do corpo. Essa escola afirma que o desenvolvimento de nossas percepções pode ser melhorado na medida em que focamos nossa atenção em nosso próprio corpo. As séries de posturas físicas conhecidas como asanas devem ser realizadas com a má­xima concentração, com a maior calma possível, assim como com o menor dispên­dio energético.

As emoções geradas pelo sistema límbico também cumprem um outro papel fundamental, que é o de causar impressão. Em um nível mais sutil de com­portamento, nossas emoções são basicamente utilizadas para produzir alterações comportamentais nas outras pessoas. Muitas vezes, mesmo que inconscientemente, nos comportamos de forma emocional com o intuito de manipular as outras pes­soas ao nosso redor. Pessoas extremamente emotivas geralmente reclamam da so­brecarga sentimental às quais estão sujeitas, muito embora a maior sobrecarga re­caia sobre as pessoas que convivem com o indivíduo demasiadamente emotivo. Logo, as emoções podem nos ajudar a intimidar, influenciar e manipular todas aquelas pessoas que nos cercam, esta é uma via de duas mãos, pois suas emoções podem tanto ser maléficas quanto benéficas para aque­les que o cercam.

Entre os pesquisadores que têm trabalhado com o Lama [budista] Oser, pode-se ressaltar Paul Ekman, professor de psicologia e diretor do Human Interaction Labora­tory da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e talvez a maior autoridade no estudo das expressões emocionais e sua relação com as mudanças fisiológicas. Fora isso, Ekman é autor de mais de cem artigos acadêmicos, além de catorze livros científicos. Ekman realizou uma grande quantidade de investigações com Oser, e suas descobertas, segun­do ele mesmo, são fascinantes e revolucionárias. Ao que tudo indica, o exaus­tivo treinamento mental realizado pelo Lama Oser, através de toda a sua vida, produziu algumas adaptações encefálicas que foram identificadas pelas pes­quisas de Ekman:

Percepções emocionais: Ekman testou Oser submetendo-o à apre­ciação de uma fita de vídeo na qual uma série de rostos é mostrada por não mais do que 1/30 de segundos. Os rostos trazem expressões de desdém, de raiva, de medo, de aversão etc. Os estudos prévios de Ekman demonstram que aquelas pessoas que se saem melhor na identificação de tais expressões associadas a diversas emoções são mais abertas a experiências novas, assim como mais curiosas. Para surpresa de Ekman, Oser obteve o melhor índice jamais medido em seu laboratório, conseguindo identificar inúmeras expressões, mes­mo aquelas mais sutis, e que eram projetadas pelo menor tempo pos­sível. Os resultados do Lama Oser foram dois desvios-padrão acima da norma utilizada nesses testes. Isto significa que o Lama Oser de­monstrou uma superacuidade na percepção das emoções humanas.

Reflexo do susto: Paul Ekman também submeteu o Lama Oser à investigação de um reflexo fisiológico associado ao susto. Para todos os seres humanos submetidos a um som alto, ou a uma vi­são súbita e desagradável, respostas fisiológicas padrão são defla­gradas: músculos faciais se contraem instantaneamente, em espe­cial ao redor dos olhos. Como todos os nossos reflexos, o reflexo de susto é deflagrado em nosso tronco encefálico, e por mais que nos esforcemos, não conseguimos bloqueá-Io por se tratar de um reflexo neuronal primitivo. O Lama Oser foi submetido à audição de ruído estridente, e conseguiu reprimir tal reflexo de forma vo­luntária. Segundo Paul Ekman, a ciência jamais tinha encontrado alguém capaz dessa façanha, o que, segundo o mesmo cientista, é um fato espetacular. Cabe ressaltar que o Lama Oser durante a experiência encontrava-se em estado meditativo. Segundo o pró­prio Oser, o som explosivo pareceu-lhe suave, como se estivesse distanciado de suas sensações.

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