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segunda-feira, 27 de agosto de 2012


A arte de amar
(ERICH FROMM)

"Amar alguém não é apenas um sentimento forte, é uma decisão, é um juízo, é uma promessa. Se o amor fosse apenas um sentimento, não haveria base para a promessa de amar um ao outro para sempre. Um sentimento vem e pode ir."

"Os conflitos reais entre duas pessoas, aqueles que não servem para encobrir nem projetar, mas que são experimentados no nível profundo da realidade interior a que pertencem, não são destrutivos. Eles levam a esclarecimento, produzem uma catarse da qual os dois emergem com mais conhecimento e mais força."

"Nenhum observador objetivo da nossa vida ocidental pode duvidar que o amor - o amor fraterno, o amor materno e o amor erótico - seja um fenômeno relativamente raro e que seu lugar seja tomado por um grande número de formas de pseudo-amor, que na realidade são formas de desintegração do amor. (...) Uma forma de pseudo-amor bastante corriqueira, que é freqüentemente vivida (e com ainda mais freqüência descrita no cinema e nos romances) como sendo o 'grande amor', é o amor idólatra. Se uma pessoa não atingiu o nível em que tem um sentimento de identidade, de 'eu-idade', arraigado no desenvolvimento produtivo de suas potencialidades, ela tende a 'idolatrar' a pessoa amada. Tal pessoa aliena-se de suas potencialidades e projeta-as na pessoa amada, que é adorada como o máximo, a portadora de todo o amor, de toda a luz, de toda a felicidade. Nesse processo, priva-se de todo senso de força, perde-se na pessoa amada em vez de se encontrar. Como normalmente nenhuma pessoa pode, a longo prazo, corresponder às expectativas daquele que a idolatra, este se decepcionará e seu remédio será buscar outro ídolo, caindo muitas vezes num círculo vicioso. O que caracteriza esse tipo de amor idólatra é, no início, a intensidade e a repentinidade da experiência amorosa."

"O amor requer o desenvolvimento da humildade, da objetividade e da razão. (...) A prática de qualquer arte tem certas exigências gerais, tanto faz se ela for uma arte da marcenaria, da medicina ou de amar. Em primeiro lugar, a prática de uma arte requer disciplina. Eu nunca serei bom em nada, se não agir de forma disciplinada; tudo o que só faço 'quando estou a fim' pode ser um hobby gostoso e divertido, mas nunca vou me tornar um mestre nessa arte. (...) É preciso aprender um grande número de outras coisas - que muitas vezes parecem não ter nenhuma relação com ela -, antes de atacar a arte propriamente dita. (...) No que concerne à arte de amar, isso significa que quem aspirar a ser um mestre nessa arte tem de começar praticando a disciplina, a concentração e a paciência ao longo de todas as fases de sua vida. (...) Concentrar-se significa viver plenamente o presente, aqui e agora, e não pensar no que tenho de fazer em seguida enquanto estou fazendo algo. (...) Sentar-se sossegado, sem falar, fumar, ler, beber, é impossível para a maioria das pessoas. Elas ficam nervosas e inquietas, e sentem necessidade de fazer algo com sua boca ou com suas mãos. (Fumar é um dos sintomas dessa falta de concentração: ocupa a mão, a boca, os olhos e o nariz.) (...) Mas o fato é que o homem moderno tem pouquíssima autodisciplina fora da esfera do trabalho. Quando ele não trabalha, quer ficar à toa, preguiçar ou, para usar uma palavra mais agradável, 'relaxar'. Esse simples desejo de ócio é, em grande parte, uma reação contra a rotinização da vida. (...) A condição principal para a realização do amor é a superação do narcisismo. (...) Por fim, outra condição para o aprendizado de qualquer arte é uma suprema preocupação com a maestria dessa arte. Se arte não tiver uma importância suprema, o aprendiz nunca irá aprendê-la."

"Egoísmo e amor a si mesmo, longe de serem idênticos, na verdade são opostos. A pessoa egoísta não se ama muito, ela se ama pouco; na verdade, ela se odeia. Essa falta de carinho e de cuidado por si mesmo, que nada mais é que a expressão da sua falta de produtividade, deixa o egoísta vazio e frustrado. (...) Ele [o egoísta] é necessariamente infeliz e tenta ansiosamente arrancar da vida as satisfações que se impede de alcançar. Parece preocupar-se demasiado consigo, mas na verdade apenas faz uma tentativa malsucedida de dissimular e compensar seu fracasso em cuidar do seu eu verdadeiro."

"A pessoa 'abnegada' [completamente solícita e inexoravelmente gentil] 'não quer nada para si'; ela 'vive só para os outros', orgulha-se de não se considerar importante. (...) Por trás da fachada abnegada está escondido um egocentrismo sutil, mas nem por isso menos intenso." (FROMM, Erich. A arte de amar. 1959.)

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