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sexta-feira, 18 de junho de 2004

Qual é a diferença/o limite entre tristeza e esperança? (Adaptação do questionamento do Pedrão de qual seria a diferença/o limite entre o desespero e a esperança.)

"Eu nunca havia me atrevido a ouvir Blanched Toca Angelopoulous sozinha.

Atrevido-me, nunca havia eu. Minhas escoras quando a invasão sonora vinha era confortável. Se tu caíres deste lado, te alcanço a mão. Se teu sofá não te satisfaz, existem colos. Pois hoje larguei minhas muletas e resolvi mergulhar dentro dessa capinha de papel, sozinha.

Um soco no estômago ou qualquer outro sopetão indecifrável. Tu começas ouvindo alguém lhe dar um conselho, de repente vem toda a carga emocional do que ele tentou lhe dizer. Teu corpo se jogaria para trás como um susto constrangedor. A música tem dessas façanhas, nos fazem parar. Na chance de entender melhor o sentindo, abrimos bem os olhos. Estes são tão mudos quanto suas respostas.

Meu martírio é o de não ser noite. Se me imagino em algum lugar, este seria um carro. Daqueles em que as capotas abrem e você pode se deitar sobre os bancos de couros sem pressa. Até existe alguém no assento da frente, guiando entre essas ruas escuras e desertas de vida. Se meu céu fosse tão estrelado, eu ouviria a Blanched por eternidades particulares.

Mas meus pesares e opiniões não são sobre toda uma instrumentalidade ouvida agora. Meu diagnóstico é sobre o que poderia ter cacife de detalhar. Nada como sentimentos e suas crueldades. A Blanched me faz ter vontade de ser triste, e tudo que há de mais bonito é a tristeza. Casa De Descanso é quase tão bonita quanto ela. Tapetes de plumas e toda suavidade que há em querer sumir. Existe alguém cantando perto de meus ouvidos, uma espécie de limite. Limite entre o sussurro e a fala, talvez.

Pois, se me fossem permitidos conselhos, eu diria para você abrir essa caixinha e preparar-se para ficar sozinho. Deixe que seus ouvidos conduzam-no ao imaginário. Esqueça críticas e toda espécie de palavras a serem ditas. Sinta e deixe que a música o sinta. Sente-se e deixe que a música o faça cair. Liberdade e ouvidos esperançosos. Lágrimas de lembranças mastigadas. Música que nos deixa pensar."

(Nathalia Silva)

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